A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 09/05/2020

Desde o movimento intelectual que surgiu durante o século XVIII na Europa, o iluminismo, que pregava a disseminação dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, entende-se que uma sociedade só progride quando um se comove com o problema do outro. Entretanto, ao observar a questão da violência obstétrica, percebe-se que esse ideal é contestado. Neste contexto, deve-se analisar como a falta de profissionalismo e a negligência governamental colaboram para o debate da temática.

Mormente, a precária formação de uma parcela significativa dos médicos é o principal fator responsável para a permanência da problemática. Tal fato ocorre porque muitos profissionais da saúde agridem física e verbalmente as gestantes. Além disso, principalmente nos hospitais públicos, não há o devido atendimento durante a gestação como, por exemplo, a disponibilidade de horário de atendimento, a averiguação da saúde da mãe e do bebê, remédios e atendimento psicológico. Sob esse viés, de acordo com o sociólogo Bourdieu, existem ‘‘Violências Simbólicas’’ nas quais a classe dominante exclui e ao mesmo tempo silencia, naturalizando tais agressões. Assim, por consequência, as mulheres agredidas, adquirem problemas psicológicos como trauma pós-parto.

Outrossim, a inobservância governamental é outro fator primordial para a problemática. Essa situação se deve porque, mesmo existindo uma lei que vise a proteção da mulher contra a violência obstétrica, não há, de fato, a punição dos agressores. Assim, a  sociedade atual vive, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, uma modernidade líquida, não havendo um afeto sólido entre os indivíduos. Logo, consequentemente, o número de mulheres vítimas dessa violência cresce linearmente, pois não existe a preocupação da mobilização do problema ocasionado pela falta de humanidade entre tais profissionais.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, deve, por meio da divulgação de propagandas obrigatórias nos grandes canais de comunicação, informar a necessidade de denunciar os agressores, a fim de erradicar a violência sofrida pelas mulheres. Ademais, o Ministério da Justiça, em parceria com as delegacias, deve averiguar e punir todos os profissionais que ferirem de forma direta e indireta as gestantes, com  o viés de cumprir a lei e assegurar a saúde física e psicológica das mulheres. Dessa forma, a questão da violência obstétrica não será um problema para a sociedade brasileira.