A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 19/05/2020

Com o surgimento da democracia, na Grécia antiga, os cidadãos passaram a participar de discussões e operar políticas a respeito das problemáticas sociais vigentes. Porém, as mulheres não podiam exercer tal função, acarretando em um completo descaso com pautas femininas. Apesar das mudanças de pensamento ocorridas até o presente momento, é notório que, no Brasil, existem traços da antiga cultura grega. No que concerne a violência obstétrica, o cenário brasileiro de desprezo com tais questões e elevados número de casos se fortifica devido à falta de representatividade feminina na política e a carência de informação sobre as ocorrências dessa prática para a população.

Em primeiro plano, ganha particular relevância o baixo número de mulheres no congresso brasileiro e as influências negativas dessa situação. Segundo o site oficial da Câmara dos Deputados, dentre os 513 eleitos, apenas 77 são mulheres. Portanto, observa-se que o descompasso entre a proporção de representação e a situação real da população brasileira afeta diretamente as medidas tomadas por esses líderes políticos. O fato de alguns projetos de lei, que criminalizam a violência obstétrica, estarem abertos no congresso, à anos, e não terem sidos aprovados demonstra a consequência trágica da ausência feminina nos parlamentos, visto que, mulheres tendem a colocar em pauta os assuntos voltados ao seu gênero fazendo com que esse tema seja devidamente debatido.

Em segundo plano, cabe ressaltar o antigo ditado popular “o que não é visto, não é lembrado” que retrata, de forma exímia, o atual cenário brasileiro, no que diz respeito à violência por parte dos profissionais de saúde à gestantes em trabalho de parto. Hodiernamente, no Brasil, pouco se discute sobre tal assunto, o que o torna invisível e pouco presente em discussões sociais. Apesar de uma grande parte das mães já terem sofrido por agressividade, física ou verbal, na hora do nascimento do bebê, muitas delas acabam não discutindo futuramente sobre os ocorridos ou os debates não tomam as devidas proporções, tornando a disseminação desse assunto falha e consequentemente não contribuindo para o fim desses atos.

Diante desse cenário, são necessárias ações que, ciente da necessidade de erradicar a violência obstétrica no Brasil, busque minimizar esse quadro. Cabe ao Ministério da Cidadania a tarefa de incentivar, através de campanhas com cartilhas e propagandas, as mulheres a ingressarem na política, a fim de elevar a representabilidade das mesmas e contribuir para aprovações de pautas como as supracitadas. É dever dos canais midiáticos expor os fatos para uma maior parcela da  população, através de novelas que mostrem o sofrimento das mães em situação de hostilidade no parto, para tornar o tema acessível e colaborar para o fim do descaso e, portanto, das agressões.