A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 08/06/2020
Um estudo realizado pela Fundação Perseu alega que 1 em cada 4 mulheres afirmam ter sofrido violência obstétrica verbal, física ou psicológica no Brasil. Entretanto, hodiernamente, embora o alarmante dado, essa experiência problemática é pouco discutida, e até mesmo, rejeitada por autoridades da saúde. Desse modo, é de extrema relevância debater a influência do capitalismo em tal prática, além de entender os aspectos que tornam um grupo social mais afetado por essa desumanização.
Pode-se mencionar, a princípio, que o parto natural, considerado cientificamente a melhor opção, não é recomendado por ser menos lucrativo. Conforme a Organização Mundial da Saúde somente 15% das cesarianas são indicadas às grávidas, porém, o setor privado realiza em 80%. Sob essa ótica, torna-se evidente que com o capitalismo e a busca desenfreada pelo lucro, médicos, na tentativa de acelerar o processo e realizar uma maior quantidade de partos em um curto período, submetem gestantes a procedimentos sem evidências científicas acerca da sua eficácia. Dessa forma, a desnecessária intervenção médica é uma violência obstétrica que pode comprometer a saúde do bebê e da mulher.
Ademais, nota-se a existência de um grupo marginalizado de mulheres que apresentam maior vulnerabilidade devido os contextos socioeconômicos em que estão inseridas. Um artigo publicado no jornal El País relata que mulheres negras, indígenas e deficientes são mais propensas a agressão obstétrica. Nesse sentido, a humanização do parto, que deveria ser universal, tem sido tratada como um novo nicho produtivo, em que apenas as mulheres dotadas de melhores condições financeiras têm acesso. Assim, o estado viola gravemente o direito das mulheres quando restringe o tratamento a algumas delas, decidindo quem sofre mais ou menos, de acordo com o seu status social.
Logo, urgem medidas capazes de combater a violência obstétrica no Brasil. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde coibir a hostilidade obstétrica, por meio de um projeto de lei, entregue a câmara dos deputados, que exijam das equipes médicas a fundamentação científica sobre a sua conduta. Além disso, o Ministério da Saúde deve universalizar o atendimento humanizado, por intermédio de uma equipe multidisciplinar de profissionais. Agindo dessa forma, espera-se solucionar a violência obstétrica vigente no país.