A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 20/06/2020

Desde o início de sua formação histórico, a nação brasileira vivenciou e sustentou um consolidado modelo social de organização: o patriarcalismo. Tal aspecto, que inferioriza a condição das mulheres na vida em sociedade, alastrou-se durante o desenvolvimento país para todas as áreas das relações humanas. Por isso, é notória a desvalorização dos corpos femininos na comunidade hodierna, fato que converge em diversas violências, tais como a obstetrícia – “fruto” da “ultrapassada” mentalidade machista e da lamentável cultura de objetificação fêmea. Assim, é imprescindível o combate a tais práticas no campo gestacional.

Em primeiro lugar, é necessário destacar o ideário de superioridade masculina como precursor das violências contra as mulheres grávidas. Nesse viés, é perceptível a influência da construção social baseada nos dogmas da “fé cristã”, a qual – historicamente – defendia a submissão feminina aos homens. Nessa conjuntura, a sociedade brasileira desenvolveu-se negligenciando a figura da mulher, o que convergiu na desvalorização e no desrespeito ao “segundo sexo”. Dessa forma, é notável o influxo desse contexto na falta de comprometimento para a promoção da saúde das gestantes, o que, por conseguinte, danifica a qualidade dos tratamentos obstetrícios no país.

Além disso, deve-se ressaltar a objetificação dos corpos femininos como contribuinte para os problemas citados. Nesse sentido, é fundamental evidenciar a presença de tal aspecto na cultura nacional. Tal diretriz é assinalada em músicas populares – como “Baile de Favela”, do “MC João” e “Bumbum Granada”, da dupla “Zaac e Jerry” – as quais expõem, veementemente, a “coisificação” das mulheres em suas letras. Desse modo, o preponderante costume imoral do tratamento de vidas não masculinas reverbera as violências contra as gestantes nos procedimentos clínicos, o que corrobora os dantescos constrangimentos e as infelizes agressões físicas e psicológicas durante as consultas médicas das progenitoras.

Portanto, a violência obstétrica é um lamentável aspecto da sociedade atual, consequência de heranças históricas e culturais – o que precisa ser combatido. Com isso, faz-se fundamental a atuação do Ministério da Saúde, junto às Delegacias de Defesa da Mulher, por meio do desenvolvimento de mecanismos de denúncia na internet – sites, links e e-mails. Isso acontecerá com a listagem dos médicos agressores nas páginas online para posteriores exposições e aberturas de processos baseados nos depoimentos das gestantes – os quais devem ser escritos, gravados ou filmados. Dessa maneira, a segurança gestacional será garantida e as perspectivas histórico-culturais serão “superadas”.