A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 23/06/2020

O direito à vida, assegurado pela Constituição Cidadã de 1988, idealiza o respeito social e cultural sobre o bem-estar humano. Embora esse conceito apresente-se constitucionalizado, a sua concretude não abrange, veementemente, os cuidados médicos em processos obstetrícios no Brasil, onde as mulheres enfrentam a marginalização, advinda do danoso patriarcado histórico, e a severa falta de empatia dos profissionais de saúde. Dessa forma, é peremptória a melhoria nos tratamentos gestacionais e a concretização da lei citada.

Nesse viés, é perceptível a dantesca violência dirigida às mulheres durante a construção histórica da nação, contundentemente, machista. Tal perspectiva é visualizada no conto “A Força do Sangue”, do escritor Machado de Assis, ao narrar o lamentável desrespeito dos homens aos corpos femininos, os quais são violados durante e após as relações sexuais. Contrariamente, as figuras maternas em Esparta, na Grécia antiga, eram valorizadas por contemplarem o poder de gerar um nobre guerreiro e, assim, serem imprescindíveis para a evolução da cidade-Estado. Destarte, a danosa formação ideológica do Brasil converge na minimização do papel feminino e, consequentemente, na falta de cuidado com seus organismos.

Além disso, a escassez da atenção e da benevolência no exercício da medicina favorece a existência de lacunas na cirurgia obstétrica. Essa danosa conjuntura revela a inexistência de empatia dos médicos às pacientes cujos corpos são submetidos a diversas modificações. Com isso, o pensamento do filósofo francês, Gilles Lipovetsky, de que se colocar no lugar do outro, hoje, é um ato em extinção, revela a diminuta preocupação dos indivíduos em promoverem a cautela no meio supracitado. Sendo assim, as gestantes tornam-se vítimas da desumanização dos profissionais e sofrem irreparáveis danos – traumas, sequelas, cicatrizes – devido a um sistema de saúde mecânico e egoísta.

Enfim, a violência feminina durante o processo obstétrico demonstra a desvalorização da mulher no Brasil e a lamentável atividade médica. E para que essa problemática seja escassa, é mister a união do Ministério da Saúde com os grandes centros de maternidade para a promoção de um “disk denúncia”. Isso dar-se-á por meio de chamadas de vídeo entre gestantes e profissionais de saúde – médicos, terapeutas e psicólogos – responsáveis por documentar os cirurgiões que não respeitarem os corpos femininos e por auxiliar nos constantes cuidados exigidos pela gestação. Desse modo, as mulheres terão atendimentos de qualidade e poderão denunciar os indivíduos que contrariarem o direito à vida, assegurado pela Constituição Cidadã.