A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 28/06/2020
Na obra “A Cidade do Sol”, do filósofo italiano Tommaso Campanella, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a violência obstetrícia apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de Campanella. Diante disso, cabe analisar tanto a ineficiência estatal quanto a falta de empatia como fatores desse contexto antagônico, a fim de revertê-los.
Considerando o exposto, é fulcral pontuar que a falta de políticas que asseguram as gestantes de atos violentos, deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. À luz dessa ideia, segundo o pensador Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar social da população. Entretanto, tal fato não é visto no Brasil devido à ausência de ação das autoridades, no que tange à concepção de leis que afirma esse direito. Dessa forma, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Outrossim, é imperativo ressaltar que o egoísmo médico atua como promotor do óbice. À vista disso, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo, ou seja, as decisões tomadas giram em prol de um único indivíduo. Não há como negar, portanto, que ao executar o parto, a negligencia e arrogância médica convertem uma experiencia bela e única em um trauma permanente. Desse modo, esse tratamento desumano contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar essa problemática. Logo, cabe ao governo, entidade máxima do poder, criar uma legislação acerca dos procedimentos obstétricos, para prever a criminalização das práticas supracitadas. Tal ação deve ser executada por intermédio do Poder Legislativo com a gerencia de leis que garantam a segurança das gestantes em trabalho de parto ou durante o período da gestação, a fim de acabar com a agressão sobre as futuras mães. Com tais medidas, espera-se que a utopia do literato seja alcançada.