A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 20/07/2020
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado a rolar uma grande pedra até o topo de uma montanha, porém toda vez que estava quase alcançando o objetivo a rocha rolava morro abaixo, por meio de uma força irresistível. Fora da ficção, hodiernamente, a violência obstétrica no país pode ser comparada à rocha de Sísifo, visto que quando há uma tentativa de contê-la, ela sofre a ação de forças contrárias, como a negligência governamental em relação aos maus tratos e a perda de protagonismo da mulher na hora do parto. Por isso, torna-se necessária a análise dos fatores que contribuem para a violência obstétrica em debate no Brasil.
Primeiramente, é importante destacar que há uma desatenção governamental em relação às atrocidades que ocorrem no período da parição. Segundo pesquisa divulgada pela página “Parto do princípio”, no ano de 2020, uma a cada quatro mulheres sofrem algum tipo de agressão no momento da gênese. Nesse sentido, a falta de leis específicas que lidem com a questão, contribui para o aumento das brutalidades com as grávidas nos hospitais, haja vista que há maior liberdade para a incidência de práticas desrespeitosas. Desse modo, as gestantes que passam por violações não conseguem apoio adequado perante a lei.
Em segundo lugar, a mulher tem perdido o protagonismo na hora do parto, consequência da mercantilização deste. Conforme o conceito de “Indústria Cultural”, dos filósofos contemporâneos Adorno e Horkheimer, é possível entender que o ato de parir, como bem cultural, é transformado em um bem mercantil. Nesse segmento, ocorre uma objetificação da genetriz, visto que ela passa ser apenas um meio para exploração do capital. Dessa forma, a desumanização do processo de gestação corrobora os problemas de hostilidade com as progenitoras.
Infere-se, portanto, que providências devem ser tomadas para amenizar o quadro de dureza para com as gestantes. É mister que o Estado elabore, por meio da organização de Assembleias do Poder legislativo, leis que tratem especificamente o assunto da violência obstétrica, a fim de garantir mais segurança às genitoras que são passíveis de crueldade. Além disso, cabe à OMS, mediante a gestão de programas de gravidez, promover maior humanização do parto, com intuito de valorizar o papel da mulher nesta etapa do nascimento. Somente assim, as forças contrárias que impedem a diminuição da violência obstétrica no Brasil poderão ser combatidas.