A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 14/07/2020
Segundo dados divulgados pelo site da câmara, uma em cada quatro mulheres sofrem com violência obstétrica no Brasil. Diante dessa séria realidade, é fundamental debater as agressões sofridas pelas gestantes, que ocorrem tanto de forma direta, como de forma velada. Ademais, medidas para mitigar o problema precisam ser tomadas pelo poder público com o apoio da mídia televisiva.
Em primeiro plano, a violência contra a mulher em situação de parto no Brasil acontece, muitas vezes,de maneira direta, com agressões verbais e físicas. Tal questão é mostrada, por exemplo, no documentário “Violência obstétrica- a voz das brasileiras”, em que diversas mulheres relatam suas experiências de concepção na presença de profissionais não empáticos, que comentavam frases, como “sua barriga tem cheiro de churrasco”, ou “você grita muito” durante o parto. Adicionalmente, elas relatam ter sofrido com cortes e pontos desnecessários não recomendados pelos órgãos de saúde mundiais, como o chamado “ponto do marido”- procedimento realizado para garantir futuro prazer sexual ao parceiro. Fica nítido, assim, que a prática de uma medicina obstétrica não humanizada, infelizmente, é uma situação presente no país, a qual implica sofrimento à vítima e associa o nascimento, uma experiência naturalmente positiva,à humilhação.
Em segundo plano, a violência obstétrica acontece também de forma velada,já que muitos profissionais da saúde aproveitam-se do desconhecimento de muitas mulheres para convencerem-nas de aceitar certos procedimentos, ainda que eles não sejam os melhores para gestante e seu filho.Isso é evidente, por exemplo, no documentário “O Renascimento do Parto” , em que muitas mulheres relatam terem sidas convencidas pelos seus médicos, a realizarem cesáreas- procedimento mais lucrativo-, por motivos banais, como miopia na mulher. Destarte, fica claro certa industrialização do nascimento, em prejuízo dos partos naturais, os quais são essenciais para a imunidade primária do bebê e para o protagonismo da mulher na concepção.
Portanto, a fim de reduzir os casos de violência obstétrica no Brasil, o Ministério da Saúde precisa incentivar as vítimas a denunciar. Isso pode ser feito em parceria com a Mídia Televisa com a vinculação de propagandas sobre o problema, em que se exponha a importância da denúncia e explicações sobre o modo e o local de realizá-la. Ademais, o Ministério da Educação deve implementar em todas as escolas brasileiras um projeto de educação sexual. Tal proposta necessita incluir aulas e palestras sobre a saúde da mulher- gestação, parto e conhecimento do próprio corpo. Nessa perspectiva, o objetivo é aumentar a autonomia da mulher a partir do conhecimento adquirido, evitando que sejam itens da indústria do parto como as mulheres dos documentários.