A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 17/07/2020
O documentário “A voz das brasileiras” mostra um problema vivenciado no Brasil : a violência obstétrica. A obra reúne depoimentos de diversas mulheres que, além de sofrer com tal violência durante a gestação e as consultas de pré-natal, sofreram também durante o parto - pois todas tiveram, de alguma forma, seu corpo violado. A gravidade do problema é evidenciada pela forma que essas cidadãs são tratadas na gravidez e, por conseguinte, em como esse crime contra o corpo feminino pode deixar marcas irreparáveis.
Em uma primeira análise, é válido salientar que os direitos das gestantes - como o acesso ao atendimento digno e de qualidade no decorrer e pós a gestação - são garantidos por lei. Contudo, não há o pleno exercício dessa garantia ao observar que 1 em cada 4 mulheres no Brasil sofrem com essa violência, como comprovado pelo site da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Primordialmente, nota-se que, na maioria das vezes, muitas mães são enganadas por obstetras que as influenciam a fazer o que não querem e, além disso, sujeitam essas mulheres a procedimentos - como o corte vaginal - desnecessários. Dessa forma, essas cidadãs que já se encontram em estado de medo e vulnerabilidade possuem o corpo desrespeitado e tal atitude, por consequência, pode ser irremissível.
Ademais, é importante ressaltar que essa violência sofrida pelas mulheres deixa marcas que podem ser incuráveis. Bem como a violência sexual viola e desrespeita o corpo feminino, a violência obstétrica age da mesma maneira e deixa, lamentavelmente, essa vida marcada para sempre. Dessa maneira, a violação pode vir do médico obstetra, dos enfermeiros e de toda equipe que está envolvida no parto, e pode ser física, emocional ou verbal - como frases machistas e insensíveis. Sendo assim, nota-se que muitas dessas cidadãs, logo após o parto, sofrem com problemas físicos e psicológicos - como depressão e crises de ansiedade - além de muitas vezes não ter tido acompanhante durante o parto, acesso a água ou a qualquer tipo de alimento, como comprovado pelo site Núcleo do Conhecimento.
Portanto, é necessário que o Estado - setor responsável por zelar pelo coletivo e o Ministério da Saúde cacem o registro que identifica o médico (CRM), por meio de investigações que comprovem o crime cometido pelo profissional. Aliado a isso, é necessário que o Ministério da Saúde e as mídias - responsável pela comunicação em massa - alertem as gestantes, por meio da criação de campanhas - na internet, na televisão e nas maternidades - sobre a importância dos direitos delas. Espera-se, com tais atitudes, que não haja mais a realidade apresentada no documentário.