A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 20/08/2020
Maus-tratos, abusos e desrespeitos cometidos por equipes médicas durante a gestação, parto e puerpério são violências comuns no Brasil. Reconhecida e definida pela Organização Mundial da Saúde, a violência obstétrica ainda é pouco discutida na sociedade brasileira. Assim, seja pelo tabu acerca do corpo da mulher, pela falta da clareza médica sobre os procedimentos ou pela mercantilização do parto, é essencial que haja o debate sobre a violência obstétrica.
A priori, é válido salientar que historicamente a discussão acerca do corpo da mulher é um tabu. E, debater sobre a violência obstétrica é discutir sobre o órgão reprodutor feminino e as limitações sociais impostas a esses corpos por uma sociedade machista. Tendo isso em vista, pode-se observar em práticas médicas, durante o parto, violências físicas decorrentes dessas limitações nas quais as mulheres não possuem escolha, haja vista que por vezes não tem conhecimento do procedimento que é feito. Ademais, essas práticas não são recomendadas pelos órgãos de saúde por prejudicar à saúde da mulher, como o “ponto do marido”, no qual é feito pontos a mais para que durante a relação sexual o homem tenha prazer, outra pratica comum é a episiotomia, corte feito no períneo que é cientificamente comprovada desnecessária, porém é uma prática obstétrica comum e feita para agilizar o parto.
Nesse contexto, de acordo com o pesquisador Pariser, “Democracia demanda que dependamos daquilo que compartilhamos uns com os outros e, ao invés disso, estão nos oferecendo mundos opostos”. Posto isso, no Brasil a desigualdade socioeconômica das habitantes permite observar duas realidades extremas quanto ao parto, as mulheres mais abastadas desembolsam alta quantia de dinheiro para fazer o parto humanizado, enquanto, a realidade financeira das mulheres brasileiras dependentes do Sistema Único de Saúde não permite a compra de um parto adequado. Dessa forma, a mercantilização do parto é uma triste realidade brasileira, na qual o SUS não cumpre o seu papel de forma efetiva na busca do parto humanizado e no debate acerca da violência obstétrica, para que haja melhorias nesse cenário.
Diante do exposto, urge que medidas sejam postas em vigor. Cabe ao Ministério da Saúde criar um curso de especialização online aos médicos e enfermeiros obstetras do SUS sobre o tema parto humanizado, no qual deve ser abordado e discutido a violência obstétrica como reflexo da violência contra a mulher, os procedimentos e técnicas não necessários, a fim de que esses deixem de ser feitos e também sobre a clareza e consentimento dos procedimentos, essas visam a diminuição da violência obstétrica. Por fim, a partir do conhecimento adquirido pelas equipes médicas a triste realidade das parturientes brasileiras pode ser mudada.