A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 23/08/2020
‘‘O mais escandaloso dos escândalos é o que nos habituamos a eles’’. Essa afirmação da filósofa existencialista Simone de Beauvoir pode servir de metáfora a violência obstétrica no Brasil, uma vez que por mais escandalosa que seja essa situação, poucos são os esforços destinados a resolvê-las. Diante disso, indubitavelmente, tal conjuntura advém de práticas arcaicas e mercantilização do parto.
A príncipio, vale analisar, como o machismo, ainda enraizado na sociedade brasileira, dá suporte para que os maus tratos á mulher em trabalho de parto continuem a ocorrer. A exemplo disso, ocorre o ponto do marido - procedimento feito após o término da sutura de uma episiotomia, onde se ‘‘aperta’’ a entrada da vagina, com o intuito de torná-la mais estreita, teoricamente aumentando a satisfação sexual do ‘‘marido". Segundo a Organização Mundial de Saúde, no Brasil a taxa de episiotomia é de 53,5%. Nessas perspectivas, este ato é frutos da subvalorização dos direitos femininos e do patriarcalismo, uma vez que essa prática é feita sem o consentimento da gestante.
Outrossim, é importante salientar o crescimento da ‘‘indústria da cesária’’ como um fator alarmante desse imbróglio. De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz, 55% dos partos no Brasil são cesáreas. Nesse ínterim, a desumanização dos partos está sendo muito recorrente na atualidade, haja vista, que os partos de cesariana são mais práticos, rápidos e lucrativos. Portanto, a interferência do obstetra sobre a escolha das mulheres, influenciando na cesariana e sugerindo que não seja viável fazer um parto normal, é um modelo biomédico mercantilizado.
Diante dos argumento supracitados, algo precisa ser feito com urgência para amenizar a questão. Sendo assim, é necessário que o Ministério da Saúde crie, por meio de verbas da União, medidas punitivas mais rígidas aos médicos que infrinjam os direitos de escolha das mulheres grávidas. Sobretudo, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos em parceria aos meios midiáticos em criar campanhas informacionais a respeito do partos humanizados e sobre a violência obstétrica. Feito isso, as mulheres terão conhecimento dos procedimentos e, consequentemente, mais autonomia sob suas escolhas ao fim de sua gestação.