A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 31/08/2020

Na visão do filósofo Thomas Marshall, o Estado deve agir como mantenedor dos direitos sociais dos indivíduos, tal como o à saúde. Entretanto, no hodierno cenário brasileiro, os frequentes casos de violência obstétrica evidenciam a negligência perante o comprimento dos artigos constitucionais, o que é um problema. Nesse viés, o impasse é originado pela desvalorização da figura feminina e a falta de preparo dos profissionais da área da saúde, o que causa traumas físicos e psicológicos nas vítimas. Dessa forma, urgem intervenções para resolver o impasse.

Em primeiro lugar, a inferiorização da figura feminina é uma consequência da sociedade patriarcal existente no Brasil. Nesse contexto, é evidente a desvalorização da mulher também durante os partos, visto que uma relevante parcela é desacreditada quanto as dores que sentem e sofrem machucados pelo cuidado indevido de profissionais. Nessa perspectiva, a violência obstétrica vai de encontro à visão de Thomas Marshall, visto que o direito à saúde não está sendo devidamente cumpridos pelo Estado às mulheres durante o nascimento do filho, que desenvolvem traumas psicológicos e físicos, como a depressão pós-parto e ferimentos vaginais. Dessa forma, medidas que protejam as gestantes contra traumas psicológicos são necessárias.

Em segundo lugar, a falta de instrução dos profissionais da área da saúde em como lidar com o emocional da gestante é um problema. Isso acontece devido ao precário desenvolvimento de habilidades socioeomocionais, como a empatia, nas universidades, que se preocupam apenas com o lado acadêmico da Medicina. Nesse sentido, o sociólogo Karl Marx descreve o homem como sendo o produto do meio em que está inserido, logo, por não ser trabalhado o desenvolvimento do lado humanitário dos médicos, profissionais medíocres são graduados. Desse modo, o desenvolvimento das habilidades socioemocionais deve ser melhorado para os acadêmicos.

Portanto, algumas medidas são necessárias para resolver o impasse. Destarte, o Ministério da Saúde deve exigir de cada mulher que experienciou o parto no SUS, um relatório que avaliativos profissionais com que manteve contato, relatando como foi tratada, o que permitirá a penalização de profissionais medíocres e até a perda o CRM. Paralelamente, o Ministério da Educação deve fazer palestras semestrais para os estudantes da área da saúde, apresentadas por médicos e enfermeiros renomados do país, em todas as universidades do Brasil, que eduquem os acadêmicos sobre como se portarem em situações desafiadoras, como, por exemplo, um parto, reforçando a importância da empatia e da solidariedade para evitar situações de violência obstétrica. Sendo assim, as gestantes serão mais valorizadas no Brasil.