A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 01/09/2020

No filme “O Renascimento do Parto”, Eduardo Chouvet retrata, com cenas reais, a face obscura do parto em hospitais brasileiros; além de revelar depoimentos fidedígnos de vítimas da violência obstétrica. Fora das telinhas, infelizmente, a realidade mostrada por Chouvet pode ser relacionada com a vioência obstétrica existente nos hospitais do país. Tal agressividade tem raízes no machismo e gera consequências para a saúde da mãe-vítima. Diante dessa perspectiva, é pertinente aviliar esses fatores que favorecem essa inercial problemática.

Primordialmente, é válido ressaltar que a violência obstétrica acontece de forma frequente. De acordo com a revista Época, 75% das mulheres em trabalho de parto não são alimentadas, ato que é aconselhado pela OMS. Esses dados tornam incontestável que há uma habitual violência obstétrica e que ela é o reflexo da violência contra a mulher, que, por sua vez, tem suas raízes fixas na inerte cultura machista presente no tecido social brasileiro e retratada por Chouvet.

Outrossim, é imperioso destacar que a gestante está em vulnerabilidade física e psicológica. Entretanto, o desrespeito presente ao realizar-se procedimentos sem o conhecimento da paciente, somado a violência verbal e física provoca sequelas físicas como o ponto do marido - ponto extra efetuado na vagina da mulher, sem aviso, para que o local fique mais estreito, o que gera maio prazer sexual no cônjuge) e psicológicas como a depresão pós-parto. Assim, as mulheres são mártires do amargo machismo evidenciado através da violência obstétrica, já que não há nenhuma lei federal que trate do assunto especificamente.

Logo, urge a necessidade de que o Poder Legislativo brasileiro proteja as gestantes canarinhas, através da criação de um projeto de lei que discorra acerca da violência obstétrica. Isso deve ser feito a fim de que as mulheres tenham o respaldo legal para denunciar agressões físicas, verbais e psicológicas. Ademais, é mister que o Ministério da Saúde divulgue através das redes sociais - como Facebook e Instagram - os direitos adquiridos com a lei e as consequências caso haja descumprimento dela. Por fim, o Ministério da Segurança deve fiscalizar o cumprimento da nova lei. Dessa forma, a face obscura do parto retratada por Chouvet ficará restrita ao passado e ao cinema.