A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 19/09/2020
A série “Nascer no Brasil”, da Fundação Oswaldo Cruz, aborda temáticas como a humanização do parto e a violência obstétrica, esta que, apesar da existência de leis coercitivas, persiste nos hospitais brasileiros. Dentro dessa realidade, as principais causas desse problema são a falta de empatia e a má formação profissional. Logo, evidencia-se a necessidade de mecanismos para solucionar a problemática em questão.
Nessa perspectiva, a ausência de empatia de boa parte dos médicos e dos enfermeiros é um dos precursores da violência obstétrica. Sob essa óptica, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, o capitalismo se sobrepôs ao sentimento empático e, consequentemente, causou menos afeto nas relações sociais. Tal pensamento confirma, infelizmente, a realidade no sistema público de saúde, haja vista as agressões praticadas durante o parto, por exemplo, a aplicação do soro de ocitocina e a episiotomia, com o intuito de agilizar o processo e, assim, realizar um maior número de procedimentos visando o lucro financeiro. Dessa forma, são fundamentais medidas para combater esse problema.
Ademais, a educação superior nesse âmbito, por ser subfinanciada, colabora para a persistência desse impasse. Nesse viés, apesar do País dispor de instituições públicas de referência no ensino acadêmico, como a Universidade de São Paulo(USP), não são todas as universidades brasileiras que possuem os mesmos recursos, visto que há a carência de hospitais universitários e de políticas públicas que incentivem o atendimento humanitário às mulheres. À vista disso, os resultados podem ser observados por intermédio de dados da Organização Mundial da Saúde, a qual afirma que o parto cesária é o mais realizado desnecessariamente, uma vez que requer menos esforço do profissional. Desse modo, é imprescindível a atuação do Governo para reverter essa situação.
Portanto, faz-se necessário que o Estado, por uma ação do Ministério da Saúde, crie campanhas de orientação acerca da empatia e do atendimento humano e implemente-as nas universidades da Nação, por meio de seminários com professores especializados no assunto e da abordagem frequente do tema nas salas de aula, a fim de que ocorra a formação de profissionais que visem o trabalho empático como prioridade. Além disso, esse órgão governamental deve destinar mais investimentos para a educação superior, para que possa proporcionar melhores estruturas de ensino e qualificação aos estudantes. Assim, essa temática abordada na série deixará de ser uma realidade na Pátria.