A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 21/09/2020

Atualmente, estima-se que há 210 milhões de pessoas no Brasil, todas nascidas dentre as mais diversas realidades. Contudo, o nascimento, o qual era para ser motivo de alegria se torna um trauma para inúmeras mães, visto que são vítimas de violência obstétrica. Sob essa ótica, compreender esse cenário brasileiro é substancial para a promoção de resoluções, uma vez que a falta de conhecimento das gestantes e o descaso estatal são notados.

É preciso considerar, antes de tudo, que falar sobre parto no país ainda é um tabu, de modo a gerar desinformação. Nesse sentido, diversos obstetras recomendam procedimentos anacrônicos e desnecessários sem serem contestados pelas mulheres, as quais não possuem instruções suficientes para tal ato. Prova disso, é que 1 em cada 4 brasileiras afirmam ter sofrido abusos nas maternidades, segundo o site “Época”. Tal conjuntura, em consonância com o Método Científico do filósofo Francis Bacon, o qual salienta que conhecimento é poder, ratifica a necessidade de a sociedade ter compreensão sobre o assunto.

É válido ressaltar, ainda, que a negligência do governo persiste intrinsecamente relacionada à lógica capitalista. Dessa forma, em um contexto neoliberal, o Estado busca minimizar seus gastos, de maneira a permitir que métodos arriscados sejam utilizados com as grávidas. Esse contexto é ilustrado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a qual declara que a taxa ideal de cesáreas feitas nas unidades de saúde deveria ser de 15%, enquanto que no Brasil chega a 80%. Tal circunstância vai contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual garante saúde e cuidados médicos dignos a todos e demonstra a urgência de ações de ministérios específicos.

Evidencia-se, portanto, que a agressão obstetrícia é consequência da ausência de entendimento da população atrelada a má conduta médica e o desleixo da administração pública. Para contrapor a situação, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deve elucidar o corpo social quanto a importância do debate acerca da gestação segura, por meio de informativos transmitidos nos programas televisivos e redes sociais, os quais terão a finalidade de evitar que mais mães sejam vítimas de hostilidades. Outrossim, cabe ao Poder Executivo, em ação conjunta ao Ministério da Saúde, difundir o parto humanizado nas instituições de saúde, por intermédio de mais verbas destinadas a equipamentos e profissionais especializados, a fim de garantir o bem-estar das gestantes. Destarte, será possível ir contra os índices da OMS, na medida em que o legado de Francis Bacon será um ensinamento.