A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 21/09/2020

No documentário “A dor além do parto”, narra-se uma sequência de relatos de mulheres que, de alguma forma, foram vítimas de intervenções violentas durante o parto e/ou puerpério. Nesse viés, de maneira análoga à história cinematográfica, depoimentos de pessoas que sofreram algum tipo de abuso relativo tornam-se, cada vez mais, frequentes. Com isso, surge a problemática da violência obstetrícia que vigora inerente à realidade brasileira, quer pelo despreparo dos profissionais da saúde, quer pelo preconceito social que — ainda — rodeia uma gestação .

Em primeiro plano, evidencia-se que o desrespeito de profissionais da saúde em casos de parto e/ou puerpério é uma prática exposta com recorrência. Nesse contexto, de acordo com o Artigo 226º da Constituição Federal do Brasil, promulgada no ano de 1988, a família — base da sociedade — tem especial proteção do Estado. Conquanto, ao analisar as narrativas regulares de comportamentos inadequados dos responsáveis, é inexorável o efeito contraproducente da premissa constitucional.

Outrossim, a ignorância social que envolve mulheres grávidas e/ou em trabalho de parto são personagens igualmente principais na trama. Essa conjuntura diverge do ideário do filósofo  — Zygmunt Baurman —, uma vez que configura-se como negligência social, já que o autor defendia que todos temos a capacidade de influenciar o próximo e, por isso, somos responsáveis pelo seu bem-estar. Nesse sentido, o julgamento da sociedade em torno de uma gestação está contido na problemática da violência no período gestacional e/ou no parto.

Depreende-se, portanto, que a violência obstetrícia é um dos imbróglios intrínsecos à conjuntura de saúde brasileira. Dessa forma, é imprescindível um ato do Governo Federal, através do Ministério da Saúde, que deve, por meio de políticas de conscientização nas universidades, instruir os futuros profissionais a um atendimento mais humanizado, de modo que a vinda de um novo ser não influencie negativamente na vida de quem o trás e, assim, execute a responsabilidade social defendida por Baurman.