A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 08/10/2020
No livro ‘’segundo sexo” a escritora Simone de Beauvoir começa relatando que a mulher, antigamente, durante o processo de gravidez, era vista somente como fornecedora de nutriente para feto, seu corpo era visto como alimento e nada mais, o homem tinha o papel de criar o embrião. No entanto, sabe-se hoje que o período de gravidez significa muito para uma mulher, porém esse momento tão natural pode virar um filme de terror, visto que, aproximadamente 25% das brasileiras sofreram alguma forma de violência durante a gestação e parto, e essa violência pode ser caracterizada pela realização de procedimentos desnecessários ou sem respaldo médico-científico.
Em primeiro plano, segundo a organização mundial da saúde (OMS) cerca de apenas 15% a 20% das gestantes tem complicações que necessitam de intervenções cirúrgicas, como a cesariana. Entretanto, o número de cesarianas realizadas no Brasil em 2017 representou 53% do total de partos feitos na rede pública e privada. Essa alta porcentagem se deve à ausência de uma legislação federal determinando o que é a violência obstétrica e como impedir que ocorra.
Em segundo plano, o problema se agrava com a falta de informação fornecida para as mães sobre os processos existentes, é papel do médico informar a progenitora dos caminhos que poderão ser seguidos. Ademais, a ciência evolui rapidamente hoje realizar uma cirurgia não é algo tão complicado, porém essa banalização dos processos cirúrgicos obstétricos com a aceleração de processos que podem ser realizados naturalmente deve ser revertida, não é papel do médico escolher o processo se a possibilidade de escolher entre dois caminhos.
Portanto, o combate à violência obstétrica no Brasil deve se tornar efetivo uma vez que algumas medidas são tomadas. Sendo assim, cabe ao governo federal criar uma legislação acerca dos procedimentos obstétricos, prevendo a criminalização das práticas supracitadas, além de aumentar a fiscalização nos hospitais e maternidades para assegurar o cumprimento da lei e investir em cursos de Parto Humanizado para médicos e enfermeiros da rede pública de saúde, incentivando o diálogo e fornecimento de informação e o respeito com as mães. Assim, será possível construir uma sociedade mais humanizada que respeita a fisiologia da gestação e do parto.