A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 23/10/2020

De acordo com a perspectiva sociológica de Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Sob tal ótica,  para que esse organismo seja igualitário e coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, no Brasil, Isso não ocorre, pois em pleno século XXI a violência obstétrica é um desafio, infelizmente, devido não só pela desinformação, mas também pelo mercantilismo.

É relevante abordar, primeiramente, por parte dos brasileiros, que a ausência de informação sobre a violência obstétrica provém de um ensino ineficaz e muitas vezes inexistente,a qual acarreta o agravamento da questão. No livro “Vidas Secas”  de Graciliano Ramos, o protagonista Fabiano, desprovido do acesso ao conhecimento, acabava sendo explorado e humilhado por aqueles que detinham o saber. Nesse contexto, sendo a arte uma mera reprodução da realidade, hodiernamente,   no Brasil, muitas mulheres são expostas a procedimentos irrelevantes no período da gestação, como a episiotomia e as  cesarianas desnecessárias. Dessa forma, tal conjuntura pode afetar a autoestima feminina, além de dificultar o processo do pós parto.

Paralelamente, vale salientar também que de conforme Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, econômicas e políticas são idiossincrasias da da “Modernidade Líquida” vivenciada no século XXI. Tomando como norte a máxima do autor, compreende-se que em virtude de tal liquidez o  mercantilismo da  medicina está cada vez mais presente na sociedade contemporânea, prova disso é que muitos médicos priorizam as cesarianas, com o intuito de se beneficiarem  financeiramente atendendo o maior número de mulheres  possíveis, assim deixando a saúde desse setor em segundo plano, uma vez que o período de recuperação  dessa cirurgia é longa e dolorosa.

Infere -se, portanto, que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Sendo assim, para maior informação da população brasileira acerca da problemática, urge que o Ministério da Saúde crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas mídias sociais que detalham a violência obstétrica e advirtam a sociedade sobre o perigo da alienação, sugerindo ao sexo feminino à criar o habito de questionar seu médicos sobre os procedimentos, a qual serão submetidas. logo, essa medida ,atenuar-se-à, os reflexos do imbróglio e o Brasil se tornara mais articulado como um “corpo biológico”.