A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 15/10/2020

O catolicismo apostólico romano tornou-se, nos primórdios da colo-nização brasileira, a religião predominante no país. Assim, a Sagrada Escritura cita que Eva prova do fruto do pecado original, induz Adão a pecar também e recebe como punição as dores na parturição. Á vista disso, tal pensamento arcaico e fanático promove uma falsa credulidade de superioridade masculina que enraizou-se no arcabouço histórico e cultural da sociedade leiga e de profissionais da saúde, os quais expõe o sexo feminino à violência de gênero, e consequentemente, a obstétrica, ao naturalizar a dor e o descaso como inerente à experiência da maternidade.

Nesse sentido, em análise do contexto retromencionado, o estudo da Fundação Perseu Abramo identificou que 1 a cada 4 mães brasileiras sofreram algum tipo de agressão na fase pré-natal, parto ou pós-parto. Desse modo, a equipe médica utiliza de seus conhecimentos profissionais como uma forma de autoridade, e coloca-se acima da paciente. Tal cenário é fruto da cultura patriarcal que inferioriza a mulher, e a submete à procedimentos arriscados que desdenham de seu bem estar, como a manobra de Kristeller, a qual provoca fraturas nas costelas da parturiente.

Outrossim, é válido ressaltar o pensamento do filósofo Jean Paul Sar-tre: “A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”. Analogamente, combater a violência obstétrica, como no  alívio da dor no parto, realização de procedimentos com consentimento ou aniquilação de abusos verbais constrangedores, exemplifica o triunfo sobre as amarras da cultural patriarcal.

Com base nisso, é notório que as implicações de tal hostilidade é prejudicial à ordem social, e por conseguinte, faz-se imprescindível sua dissolução. Portanto, caberá ao Ministério da Justiça em conjuntura ao da Saúde, formular ouvidorias online, para denúncias de violência obstétrica, as quais devem ser gerenciadas rigorosamente pela polícia civil local, com o fito de investigar e punir os agressores. Isto posto, a sociedade brasileira terá de fato deixado os colonizadores jesuítas apenas nos livros de história.