A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 30/10/2020
De acordo com o conceito da Física de Inércia, um corpo permanece em movimento contínuo se nenhuma força externa atuar para alterar essa trajetória. Assim como nessa ciência da natureza, os problemas relacionados à hora do parto permanecem na sociedade brasileira. As mulheres vêm enfrentando atos de violência durante esse momento tão importante e delicado, como a hora do parto, o que causa vários traumas e contribui para o aumento da discriminação em relação à mulher. Desse modo, tem-se como causas do problema a lenta mudança na mentalidade social e o individualismo. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidá-los.
Em primeiro lugar, é preciso atentar para a lenta mudança na mentalidade da população brasileira presente na questão. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que, a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em qualquer lugar, cabe perfeitamente. Ou seja, durante o processo do parto nas maternidades, muitas mulheres sofrem com os comentários desagradáveis da equipe de atendimento em relação ao seu processo de dor, dificuldade de nascimento dos bebês e, muitas vezes, são submetidas à cesáreas desnecessárias. Desse modo, tem-se como consequência a generalização da injustiça e prevalência das concepções da sociedade de que o paciente tem que obedecer tudo aquilo que o médico estabelece.
Em segundo lugar, a violência obstétrica no país encontra terra fértil no individualismo. Percebe-se que falta um atendimento humanizado na saúde, como forma de valorizar o paciente como um todo e não apenas como um objeto de trabalho. Assim, no caso das parturientes, a assistência dos profissionais de saúde deve ser baseada na identificação daquele momento como único, doloroso, de medo e incertezas e tratar aquela paciente como um ser humano que tem direitos assegurados de receber um atendimento digno. Na obra de Zygmunt Bauman, “Modernidade Líquida” ele defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há como consequência a falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si e tratar o outro como um ser dotado de sentimentos.
Logo, medidas estratégicas devem ser tomadas para reduzir a violência durante o parto no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação, deve revisar os currículos das Faculdades de Medicina, por meio de reuniões entre as reitorias das Universidades públicas e privadas, a fim de que o ensino seja pautado numa assistência humanizada e integral às parturientes. Dessa forma, os profissionais serão ensinados a ofertar um atendimento digno, baseado na concepção integral do indivíduo e nos preceitos éticos da profissão e a violência obstétrica no país poderá ter a sua trajetória modificada.