A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 12/11/2020
Segundo a Constituição Federal de 1988, no seu artigo 196, é dever do Estado garantir o acesso à saúde , bem como é responsável pelas medidas públicas para zelar pelo bem-estar físico de todos os cidadãos brasileiros. Entretanto, na conjuntura hodierna, não há o cumprimento dessa garantia, principalmente no que diz respeito a violência obstétrica. A partir de uma análise desse obstáculo, percebe-se que ele está vinculado não só à mercantilização da medicina, mas também à falta de informações sobre o assunto na sociedade, afetando de forma negativa o cotidiano brasileiro, o que exige reflexão urgente.
Deve-se destacar, de início, a mercantilização da medicina como um dos complicadores do problema, ou seja, isso tem feito com que o número de cesarianas -procedimento agressivo ao corpo feminino- aumente cada vez mais. Conforme o site do G1, apenas 15% dos nascimentos há necessidade médica de uma cesariana. No entanto, a realização dessa cirurgia é de interesse médico por ser mais lucrativa , rápida e do paciente que, por falta de instruções, teme ao parto normal. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura profissional.
Outrossim, vale salientar que a situação é corroborada pela falta de informações. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido. Sob essa ótica, a violência obstétrica por não ser um assunto tratado na sociedade, em muitos casos só é identificada pela paciente depois de um tempo, descobrindo então que teve seus direitos inibidos e passou por um atendimento desumano, no qual deixou marcas em seu corpo e mente que poderiam ter sido evitadas.
Portanto, medidas tornam-se necessárias para resolver o impasse. Urge que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, promovam campanhas através de profissionais especializados, nos hospitais, escolas e plataformas digitais, informando a sociedade de seus direitos e de como os procedimentos hospitalares devem ser feitos. Por fim, os médicos devem priorizar a vida e o bem-estar do paciente, oferecendo um atendimento digno, seguro e levar com seriedade a sua profissão. Espera-se, com essa medida, que a violência obstétrica seja freada no Brasil, assegurando as mulheres o que é exigido constitucionalmente.