A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 17/11/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, do clássico livro “O triste fim de Policarpo Quaresma”, sempre teve como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando num Brasil utópico. Entretanto, a violência obstétrica, torna o país ainda mais distante do imaginado pelo sonhador personagem. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grande problema de contornos específicos, em virtude da insuficiência das leis e da educação deficitária.
Em primeiro plano, evidencia-se que a ineficácia das leis se configura como um grave empecilho no que diz respeito da agressão obstétrica. Maquiavel defende que “mesmo as leis bem ordenadas são impotentes diante dos costumes”. A perspectiva do filósofo aponta para uma falha muito comum das sociedades: acreditar que a lei em si pode resolver problemas complexos, como a questão da violência. Assim, o que verifica se é insuficiência da legislação, se esta não vir atrelada ás políticas públicas que ajam na base cultural da problemática, dificultando a resolução.
Além disso, a elaboração da Constituição Federal, há 30 anos, foi baseada no sonho de bem-estar social para todos os indivíduos. É notório que o Poder Público cumpre seu papel como agente fornecedor de direitos mínimos, uma vez que há uma hierarquia e dominação do saber médico sobre o corpo da mulher. Dessa forma, é inaceitável que quanto maior a vulnerabilidade da paciente, mais rude e humilhante tende a ser o tratamento oferecido a ela, violando o que é exigido constitucionalmente.
Sendo assim, é preciso que o governo, em parceria com o Ministério da Educação, financie projetos educacionais, nas escolas e faculdades, através de uma ampla divulgação midiática que inclua propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debates entre professores e alunos. Nesse contexto, o intuito de tal medida deve ser o diagnóstico de cada ambiente escolar. Ação que, iniciado no presente, é capaz de mudar o futuro de todo agrupamento brasileiro.