A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 17/11/2020
Policarpo Quaresma- personagem da obra de Lima Barreto- era um homem extremamente fiel e adorador do Brasil, destarte, de modo utópico, ele idealizava um país isento de problemas sociais. Conquanto, parafraseando Carlos Drummond de Andrade, a construção civil brasileira encontra uma pedra no caminho para alcançar as perspectivas de Policarpo. A exemplo disso, o aumento da violência obstétrica, figurado a imprescindibilidade de intervenções que considere aspectos sociais e políticos.
Indubitavelmente, a desigualdade social está entre os fatores desse dilema. Desse modo, as gestantes de baixa renda acabam sofrendo ainda mais com essa problemática, visto que são desvalorizadas pelo baixo poder aquisitivo. Em contrapartida, segundo Aristóteles, a constância entre a ordem e a justiça constitui os pilares da sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que essa desigualdade social entre gestantes rompe com esse equilíbrio, uma vez que a falta de acesso a um atendimento de qualidade resulta na ausência de acompanhamento adequado, complicações no parto (e no bebê) e até a morte da mãe. Nessa perspectiva, uma mudança no sistema social é elementar à atenuação nos casos de agressão obstétrica.
Por conseguinte, a organização política coadjuva à manutenção do desafio, haja vista o aumento da violência física e verbal às mulheres grávidas. Sob tal ótica, de acordo com Immanuel Kant em sua teoria do Imperativo Categórico, os indivíduos deveriam ser tratados, não como coisas que possuem valor, mas como pessoas que têm dignidade. Nesse contexto, a sociedade brasileira, tacitamente, tem ido de encontro ao postulado filosófico, uma vez que Administração Federativa não cumpre com a sua função de garantir o direito de uma saúde de qualidade à gestante e ao seu filho, revelando, majoritariamente, os reflexos de uma sociedade com impasses ignorantes ao Estado.
Ainda que exista uma pedra no caminho à superação da violência obstétrica no Brasil, nele também existe a esperança de transformação. Diante disso, cabe ao Ministério da Cidadania, em parceria com o Ministério da Saúde, um projeto que por meio de investimento disponibilize um pacote a ser garantido pelas gestantes, com consultas mensais, tipo de parto, direito a um acompanhante e acompanhamento psicológico mediante a voluntários. Além de uma parceria com ONGs que, mensalmente, realizem feiras comunitárias nas comunidades mais carentes com voluntários médicos e psicólogos, que forneçam assistência a essas mulheres grávidas, junto ao ensino da garantia dos seus direitos como gestante, a fim de alcançar gradativamente o fim da violência obstétrica no Brasil. Assim, poder-se-á um ideal de que Policarpo Quaresma pudesse se orgulhar.