A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 18/11/2020
É de costume, na cultura indígena, o parto das mulheres ocorrer em posição vertical para ajudar na saída do bebê. No entanto, um acontecimento tão natural tem se tornado um grande ato de violência contra gestantes na contemporaneidade. Nesse sentido, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra “Cegueira Moral”, fala sobre a falta de sensibilidade do homem em meio as dores do seus semelhantes. Evidência se, portanto, que isso ocorre seja pela ausência de conhecimento por parte do paciente acerca de seus direitos, seja mercantilização da saúde colaboram com a precária conjuntura. Em primeiro lugar, o desconhecimento de tais diretos persiste intrinsecamente ligada a realidade do pais. Isso ocorre, principalmente, devido à falta de informe a respeito, o que faz com que inúmeras parturientes acreditem que determinados procedimentos e atitudes são comuns na hora do nascimento. A violência divide-se em omissão de informações, negação de analgésicos, proibição de acompanhante e inclusão de práticas desnecessárias, como a episiotomia. Dessa forma, além dos atos serem uma afronta aos direitos humanos, a mulher pode adquirir sequelas, como a depressão pós-parto, pesadelos e dificuldade em realizar atividades sexuais com o parceiro. Assim sendo, observa-se uma contraposição com a frase de Aristóteles, a qual diz que a base da sociedade é a justiça, uma vez que as gestantes estão tendo seus direitos negligenciados.
Em segundo plano, é imprescindível pontuar que uma parcela dos profissionais de saúde, frequentemente, colocam seus interesses acima dos da paciente, ignorando seu bem-estar. Para ilustrar, é útil a pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde, a qual aponta que o Brasil é campeão mundial de cesarianas. Isso advém, sobretudo, da lógica capitalista que fomenta a preocupação em obter lucro constante com um elevado número de cirurgias do que dedicar horas a um trabalho de parto. Dessa maneira, nota-se que a saúde aos poucos deixa de ser um direito universal e torna-se um produto, com foco no lucro, viabilizando episódios violentos no ambiente hospitalar. Portanto, é mister que o Ministério da Saúde (MS) fomente a elaboração de palestras e campanhas públicas, a respeito da caracterização da violência obstetrícia e dos direitos da gestante, além de realizar conferências nos hospitais direcionadas aos médicos e enfermeiros, acerca da importância de respeitar a escolha da mulher durante o parto e respeitar a paciente, com o propósito de esclarecer e auxiliar na redução dos episódios inconvenientes durante o parto. É essencial, também, que o Setor Legislativo potencialize as medidas punitivas contra crimes obstétricos, através da reformulação de leis e da garantia da plena efetividade. A partir disso, a frase de Mahatma Gandhi fará sentido para as mudanças que almejamos: “O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente”.