A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 18/11/2020
Mais uma vez, a matemática reflete a realidade, por meio de um gráfico exponencial crescente, caracterizando a ascensão dos casos de violência obstétrica no Brasil. De forma análoga ao diagrama, o debate social acerca desse cenário de agressões se torna cada vez mais comum. Nesse sentido, enquanto alguns defendem que a falta de informação popular corrobora com o aumento da hostilidade, outros avaliam que a negligência dos agentes de saúde constitui o fator principal para a perpetuação da problemática.
Em primeira análise, cabe avaliar a insipiência da população como motor para um sistema de práticas à violação da dignidade feminina, assegurada pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Por esse ângulo, segundo o Jornal Estadão, a violência obstétrica atinge 1 em cada 4 mulheres brasileiras, e o dado segue similaridade ao tratar das vítimas que sabem identificar a agressão sofrida. Por isso, várias mulheres presenciam a infração dos seus direitos mas não reivindicam a ação, já que não possuem informações suficientes para constatar o abuso, gerando impunidade aos agressores.
Em segundo plano, constata-se a negligência como ferramenta de agravamento da prática de rigor. Outrossim, Diante da análise dos dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), infere-se que o Brasil é o segundo país com maior porcentagem de partos realizados por cesárea do mundo, chegando a 55,6% na medicina pública e 85,5% na área privada. Ademais, esse hábito perdura devido a abstração e impaciência médica em aguardar o processo natural, sem considerar os riscos desse ato para a saúde da gestante e do bebê, tais como hemorragia, trombose, infecções ou problemas respiratórios à criança, além de aumentar os riscos de uma gravidez subsequente.
Segundo Oscar Wilde, escritor inglês, o primeiro passo é sempre o mais relevante no processo de transformação da realidade. Portanto, faz-se necessário atuação do Ministério Público em parceria com o CONAR, na realização de campanhas, por meio de todos os veículos de propagação, com temas que diferenciem o ato agressivo e um ato admissível diante de uma ação dos agentes de saúde, a fim de retificar a visão da população sobre a violência obstétrica. Outra iniciativa plausível, é ação do primeiro poder em fiscalizar as leis existentes, que asseguram o inviolável bem-estar da gestante, além de punir os infratores. Dessa forma, poder-se-á reverter o traçado matemático para sua forma decrescente.