A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 20/11/2020
Segundo o filósofo e economista britânico, John Stuart Mill, sobre seu corpo e mente o ser humano é soberano. Contudo, no Brasil, o pensamento de Stuart ainda está muito longe de ser praticado, uma vez que a violação dos direitos básicos humanos tem se intensificado, causando problemáticas como a persistência da violência obstétrica. Dessa forma, essa é uma questão social contemporânea que contrapõe na mesma tela a falta de estrutura educacional dos profissionais e a objetificação da mulher.
Em primeiro plano, é necessário validar que a falta de educadores competentes para lesionar no ensino de áreas de saúde tem contribuído para a formação de profissionais sem qualificações para tais campos de trabalho. Nesse contexto, os poucos estudantes que se formam para as áreas médicas acabam se tornando especialista incapacitados de lidar com as necessidades primordiais dos pacientes. Sendo assim, a carência profissional de médicos obstetras infringem os direitos humanos, logo que, de acordo com dados da revista Veja, 25% das parturientes sofreram agressões obstétricas das mais diversas, seja de parto sem anestesia até falta de alimentação.
Ademais, ainda que a sociedade tenha evoluído com o passar dos anos, alguns legados históricos se tornaram reflexo da atualidade, como ocorre com a objetificação da mulher. Nesse cenário negligenciado, a mulher é considerada submissa e inferior, tendo sua condição e direitos roubados para se resumir à um corpo que necessita de cuidados profissionais para poder dar a luz. Além disso, o parto natural tem se tornado cada vez mais anulado por intervenções médicas e idealização dos obstetras quanto a realização de cesárias, tirando o papel principal da mulher no parto e passando para os profissionais da área. Assim, é visível a falta de empatia e compreensão dos especialistas sobre o corpo da mulher.
Em virtude dos fatos apresentados, é indubitável que a violência obstetra persiste e continuará resistindo enquanto não for tomada medidas para intervir essa violação dos direitos. Destarte, os órgãos de saúde, tais como a OMS - Organização Mundial de Saúde - ou o Ministério de Saúde, no Brasil, devem fazer uma reformulação dos profissionais e de suas políticas publicas nas áreas de saúde, por meio de alertas nos hospitais e em zonas com grande alcance social, a fim de proteger as parturientes e tratá-las com dignidade e respeito antes, durante e após o parto, sempre oferecendo a assistência necessária. À vista disso, caso ocorra tal reestruturação, a violência obstétrica teria seu fim no Brasil, tornando, como disse Stuart, o ser humano soberano sobre sua mente e corpo mais uma vez.