A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 25/11/2020
O abuso físico, sexual ou verbal e a discriminação são exemplos da violência obstétrica, um problema ainda extremamente comum no Brasil. Assim, diversos partos pelo país são marcados pela violação e pelo desrespeito do corpo da gestante, sendo mais uma forma de agressão sofrida pelas mulheres na sociedade. Dessa forma, a violência obstétrica é um impasses persistente no país, principalmente, devido à desumanização da medicina, bem como pelo escasso diálogo sobre o tema.
Nesse sentido, é fundamental ressaltar a desumanização da medicina, como um fator que colabora para a violência obstétrica no país. Portanto, milhares de médicos no Brasil têm como verdadeiro interesse a busca pelo capital econômico, conceito teorizado por Pierre Bordieu relacionado aos bens materiais. Desse modo, a obstetrícia é marcada por tais profissionais, fato explícito pela quantidade de partos cesárea, que correspondem à 55% dos nascimentos, segundo o Ministério da Saúde. Isso se deve, principalmente, à maior rapidez do parto cirúrgico, bem como ao maior ganho financeiro, porém, também é o com maior índice de violência.
Ademais, é de extrema importância salientar a carência de diálogo com as gestantes como um aspecto que propicia a violência obstétrica no Brasil. Dessa maneira, diversas mulheres, tanto na rede pública quanto na particular, não recebem informações suficientes sobre os procedimentos na hora do nascimento e não têm ciência do direito de escolha sobre o tipo de parto, garantido pelo recente projeto do Congresso. Assim, a falta de conhecimento propicia um maior vulnerabilidade da gestante, tornando-a mais suscetível à casos de violência obstétrica.
Logo, cabe ao Estado aprovar um projeto de lei, propondo a punição dos profissionais que realizem violência obstétrica, por via do legislativo, a fim de proteger as famílias afetadas e reduzir os números de casos. Além disso, é função do Ministério da Saúde promover campanhas, por meio das redes sociais - Twitter e Instagram -, com o objetivo de conscientizar as mães acerca dos tipos de parto e dos riscos da violência obstétrica.