A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 03/12/2020
O artigo 5º da Constituição Federal de 1988, garante aos brasileiros o direito à liberdade e à segurança. Entretanto, a mercantilização da medicina e o desrespeito a essa garantia, muitas vezes manifestado pela violência simbólica, ocasiona a violência obstétrica.
Nessa conjuntura, é necessário destacar como o interesse econômico de uma parcela dos profissionais da área da saúde afeta as parturientes. Nesse contexto, o documentário “O Renascimento do Parto”, disponível na plataforma de streaming, Netflix, retrata as vantagens financeiras aos especialistas em realizar cesarianas, uma vez que essa intervenção cirúrgica é feita de maneira mais rápida que o parto normal, podendo ser efetuada em muitas parturientes no mesmo dia. Nesse viés, o procedimento cirúrgico pode ocorrer de modo violento ao tentar apressar o nascimento e os profissionais acabam por nem cogitar o parto tradicional, visando maior rentabilidade em seus expedientes de trabalho. Ocorre que, lamentavelmente, o interesse capitalista ultrapassa a segurança individual.
Para além disso, vale saliente como a persuasão do tecido social limita a própria escolha. Isso é frequentemente manifestado na forma de violência simbólica, conceito do sociólogo francês Pierre Bourdieu, que afirma que a violência atua, não necessariamente, em comportamentos agressivos físicos ou verbalmente, mas atua na coerção de padrões predeterminados. Nessa perspectiva, o discurso dominante do modo de como a mulher deve realizar o parto é uma forma de imposição, na qual não se concretiza os direitos constitucionais.
Portanto, é necessário que, a fim de mitigar essa problemática, o Ministério da Saúde deve divulgar outras possibilidades no parto, por intermédio da mídia e de campanhas em Unidades Básicas de Saúde e Hospitais, com exposições verbais e não verbais, com o propósito de confirmar a livre escolha dos indivíduos.