A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 07/12/2020

Dados divulgados pela pesquisa do SESC, Serviço Social de Comércio, demonstraram que 1 a cada 4 gestantes sofre violência obstétrica no Brasil, entre as práticas estão restrição do direito a acompanhante, episiotomia desnecessária, aplicação de remédios sem a autorização da gestante, entre outros. Dessa forma, pesquisas tem sido realizadas no intuito de reduzir o número de casos, posto que há como principais desafios a falta de preparação dos profissionais de saúde e a indústria do nascimento.

Em primeiro lugar, são observadas no Brasil várias práticas que não condizem com as indicações da OMS, Organização Mundial da Saúde , concernentes as pesquisas mais atuais. Nesse sentido, a medicina obstétrica brasileira é pautada , na grande maioria dos casos, em práticas convencionais, se desligando da pesquisa científica. Assim, os profissionais de saúde não dispõem do conhecimento necessário, pautado na humanização do parto, o qual vem sendo desenvolvido hodiernamente. Para exemplificar, o documentário “O renascimento do parto” mostra que apesar das orientações da OMS de posição para parir seja verticalizada , segundo a decisão mais confortável para a mãe, a grande maioria dos partos no país ainda é feito na posição horizontal.

Além disso, o parto na atualidade deixou de ser encarado como uma ação natural e passou a ser vendido pela “indústria do nascimento”, assim , a imagem de que a mulher não sabe ou não pode parir é passada no intuito de vender cesarianas ampliando o lucro de médicos e hospitais. Nessa perspectiva, os partos realizados pelo sistema público apresentam altos índices de violência obstétrica, uma vez que são tomadas medidas , diversas vezes sem a autorização ou sem disponibilizar informação para a gestante, com o intuito de agilizar ou facilitar os partos , os principais são aplicação de remédios para induzir a dilatação , pressão por parte do médico no útero para empurrar o bebê e realização de cesarianas infundadas, sendo que o parto natural pode durar de 12 a 22 horas e tem baixo custo pelo pouco uso de aparelhos se tornando economicamente pouco atraente para o setor.

Portanto, medidas são necessárias para coibir esta intempérie. Assim, cabe ao Ministério da Saúde, como órgão máximo nesse setor, disponibilizar cursos de capacitação periodicamente para médicos e enfermeiras por meio de ações conjuntas com universidades, uma vez que estas concentram o maior número de pesquisas científicas, para realizar palestras, cursos práticos e à distância com o intuito de inteirar os profissionais praticantes das pesquisas e resultados mais atuais disponibilizando assim, um atendimento mais humanitário e completo. Ademais, devem ser veiculadas nos meios digitais informações relacionadas aos direitos das gestantes e orientações de como deve ocorrer o parto.