A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 09/01/2021
Simone de Beauvoir em “O Segundo Sexo” escreve que “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher” e explicíta que o gênero feminino molda sua identidade em função da sociedade patriarcal. Assim sendo, as mulheres vêm sofrendo variados tipos de agressão e opressão. Um exemplo é a violência obstétrica, que tem taxas crescentes de incidência no Brasil, gerando traumas em suas vítimas, mas não diminui devido à impunidade com os agressores.
Primeiramente, os crimes supracitados impactam negativamente nas mulheres e lhes causam um medo maior em experienciar o parto. Nesse contexto, o médico Dráuzio Varella, em seu canal no Youtube, traz ao debate a gestação e a depressão pós-parto, que é ocasionada, muitas vezes, pelo tratamento precário que a paciente recebe no hospital ou maternidade. Consoante às observações do médico, nota-se que a natalidade do país decresce e o medo assola a população feminina de experienciar a gestação.
Segundamente, cabe ressaltar que muitos crimes relacionados à violência contra a mulher, qualquer que seja o âmbito, permanecem sem julgamento e os causadores impunes, levando as vítimas a não denunciarem. Contudo, algumas empresas já se posicionaram, como o site da loja “Magazine Luíza”, que oferece a ferramenta de denunciar violência contra a mulher e gera grande impacto por ser uma opção acessível, que evita o constrangimento das vítimas. Assim, fica evidente a carência de julgar os casos de violência obstétrica de forma justa para que as vítimas possam, então, expor o problema e usufruírem de seus direitos constitucionais.
Sob esse prisma, é sabido que medidas são necessárias para intervir nos impasses. Para tanto, é mister que o Ministério da Mulher e da Família deve propor, por meio de um projeto entregue a Câmara dos Deputados, um portal na web que tem o objetivo de facilitar a denúncia de casos de violência obstétrica no ínterim nacional. O site deve conter um espaço para escrever, enviar fotos, vídeos e gravar uma mensagem de voz, com o intuito de que as vítimas exponham a agressão sofrida e seu relato chegue às autoridades- a Delegacia de Defesa da Mulher mais próxima, para que os agressores sejam devidamente punidos e o espaço em que o crime foi cometido seja analisado. Assim, a autora Simone de Beauvoir teria orgulho de citar o Brasil como exemplo em sua obra mais conhecida.