A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 16/01/2021
Na antiguidade grega, a mulher era tida como um ser inferior, destinada apenas à procriação e tarefas domésticas. Semelhante ao cenário histórico, hodiernamente, apesar de terem ocorrido conquistas nos direitos femininos, muitas mulheres sofrem com o descaso, quando são submetidas à condições desumanas no decorrer da gestação e do parto. Dessa forma, convém analisar os fatores nocivos do quadro, tais como: o despreparo profissional e a “maquinificação” do parto, a fim de atenuá-los.
Em primeiro plano, cabe expor que a desqualificação médica corrobora para o aumento de casos de violência obstétrica. Nesse sentido, a afirmação de Thomas Hobbes: “O Estado é responsável pelo bem-estar da população”, vai em desencontro à realidade brasileira, visto que o Governo não garante atendimento humanizado às gestantes. Sendo assim, em seu momento de maior vulnerabilidade, mulheres adquirem traumas sendo reduzidas a um corpo manipulável, à exemplo de casos que não há necessidade de exame de toque na genitália, mas mesmo assim o fazem.
Outrossim, é válido salientar que a pressa em realizar o parto, por vezes coloca a vida da mulher em risco. Nesse viés, nota-se que alguns agentes da saúde, utilizam fármacos indiscriminadamente, para acelerar o tempo de “dar a luz”, assemelhando a situação à uma fábrica fordista. Sendo assim, a saúde feminina entra em risco, podendo sofrer sérias consequências por conta da irresponsabilidade médica em “reproduzir” um modelo de produção fabril em seres humanos.
Portanto, urgem medidas para amenizar a problemática. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, pilar da saúde nacional, ofertar o atendimento humanizado de gestantes, por meio da obrigatoriedade de cursos de capacitação no cuidado obstétrico para profissionais da área, a fim de promover o bem-estar das parturientes. Além disso, o Conselho Nacional de Medicina, defensor da boa prática médica, deve garantir o exercício profissional ético, abrindo um espaço para a avaliação dos médicos pela população e dando as devidas punições aos que são denunciados. Assim, a população feminina em questão poderá ser tratada com humanidade, diferente do que ocorria na Grécia antiga.