A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 18/01/2021

O filme “Pieces of a Woman”, estrelado por Vanessa Kirby, conta a história de uma gestante que, por medo de sofrer violência obstétrica nos hospitais, opta pelo parto humanizado em sua casa. Embora a obra seja de origem fictícia, fora das telas essa é a realidade de muitas mulheres brasileiras, mas, muitas vezes, elas são vítimas dessa violência, que se mostra normalizada no meio médico e fruto de consequências irreparáveis na vida das mães, que muitas vezes desenvolvem depressão pós-parto.

Em primeiro plano, observa-se que a violência obstétrica não é abordada nos meios de comunicação na proporção em que é praticada. No Brasil, de acordo com matéria da Globo, 25% das mulheres que deram à luz dizem ter sido desrespeitadas durante o parto. Essa violência consiste em silenciar a gestante e deixá-la de fora das decisões acerca de seu próprio parto. Embora seja desumana, a prática é normalizada no meio médico e por parte da população (já que de acordo com Chimamana Ngozi, escritora nigeriana, se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal), e, portanto, persiste e faz nas vítimas danos inimagináveis.

No que se refere às consequências supracitadas, a principal delas é a depressão pós-parto, que resulta em um distanciamento da relação entre mãe e filho, e, muitas vezes, compromete a formação do bebê, já que pode não haver produção de leite materno quando relacionado a esse estado. É inaceitável que, no Brasil, gestantes estejam sujeitas a esse tipo de condição e que o medo, retratado no filme protagonizado por Kirby, esteja presente durante toda a gestação da mulher.

Destarte, é incontrovertível que haja medidas públicas para alterar a forma como a gestante é tratada ao dar à luz no Brasil. É fundamental, portanto, que o Estado, por meio de campanhas publicitárias, propague as formas de violência obstetrícia praticada no meio médico, com o intuito de informar a população e, principalmente, as gestantes de que a prática não é normal, e veicular formas de denúncias dessa prática, para, assim, como Ngozi disse, haver a normalização de um parto respeitoso e humanizado.