A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 22/01/2021

As mulheres têm seus corpos tratados como propriedade alheia há muitos séculos. Antes, na figura do pai, do marido ou do irmão, viam suas liberdades anuladas. No entanto, essa realidade foi, progressivamente, considerada relativamente superada. Ainda assim, nos dias atuais, é o Estado omisso e os atores sociais que detém algum tipo de poder na comunidade, por exemplo, profissionais da saúde, que também podem ser os fomentadores de opressões contra a mulher, seu corpo e suas prerrogativas de direito, ao negarem seu protagonismo e humanidade no parto, como também a existência dos tabus sociais que se baseiam nos resquícios de pensamentos patriarcais.

Primeiramente, um levantamento da Fundação Perseu Abramo, em 2010, deu conta de que uma em cada quatro brasileiras sofre violência obstétrica. É um fenômeno sintomático e que reflete a falta de preparação das equipes de acompanhamento médico das instituições que cuidam dos assuntos gestacionais, públicos e privados e a negligência estatal em termos da manutenção e fiscalização das políticas que protegem esse grupo. Diz muito sobre a supremacia, além do machismo estrutural, do olhar fisiológico sobre o corpo da parturiente - a mulher tratada como um animal acuado, uma máquina que precisa saber parir e rápido, para satisfazer os interesses mercantilistas dos seus opressores, que por sua vez, foram ensinados a enxergar a gestante assim desde a universidade ou muito antes, nas microagressões do cotidiano que potencializam o estigma de gênero.

Em consequência de tudo isso, o documentário “O renascimento do Parto” busca romper, por meio da informação, com essa barbárie que é tão normalizada. A série documental busca expor o fato de que um parto agradável e sem violênica não apenas é possível, como é de Direito. Nessa acepção, é correto afirmar que a gestante deve ser respeitada e ter sua voz e vontades consideradas no processo, pois, é um momento de participação ativa (da mulher, da família e dos profissionais envolvidos) e que suas consequências possuem impactos em toda a estrutura coletiva.

Diante do exposto, cabe ao Governo Federal, através do Ministério da Saúde, articular políticas públicas que empoderem as mulheres durante o parto. O Ministério da Saúde deve destinar verba, aprovada pelo Congresso Nacional, para preparação de pessoal e investir em uma formação contínua dos profissionais da saúde. Cartilhas, palestras, rodas de conversas, material didático, são ferramentas que devem ser usadas tanto com destinação para médicos e enfermeiros, quanto para a sociedade civil. A difusão de informações sobre boas práticas médicas e sobre direitos da gestante deve ser presente nas plataformas de comunicação e  também nas mídias sociais governamentais, no intuido de fazer surgir um novo paradigma positivo de tratamento das gestantes e dessa forma, renascer o parto.