A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 26/01/2021
Na produção cinematográfica da Netflix “Mãe só tem duas”, a jovem Mariana é afastada do seu bebê logo após o parto e ao pedir para a enfermeira que trouxesse sua filha tem seu pedido negado. Fora da ficção, a realidade brasileira não é diferente e muitas gestantes ou parturientes não tem seus direitos respeitados em um momento delicado como a gestação e o parto. Nesse sentido, percebe-se a necessidade de debater sobre a violência obstétrica no Brasil que apresenta duas principais causas: o desrespeito às leis já existentes e a falta de informação.
Sob esse viés, o descumprimento da legislação criada para a proteção das gestantes e parturientes distancia as brasileiras de uma gestação e de um parto saudável, seguro e humanizado. Mesmo sendo direito delas de receber um atendimento de qualidade, o que se vê no Brasil é um sério quadro de violência obstétrica, no qual mulheres perdem o direito de decisão sobre o próprio corpo e do seu filho. De acordo com a pesquisa Nascer no Brasil, coordenada pela Fiocruz, apenas 19% das entrevistadas tiveram acompanhante durante o período de hospitalização, as demais tiveram o direito garantido pela lei do Acompanhante (2005) negado. Desse modo, conclui-se que o parto se torna um momento ainda mais difícil quando os desejos e os direitos das mulheres são desrespeitados.
Além disso, a desinformação corresponde a outro fator que contribui para que as brasileiras ainda sofram violência obstétrica. Isso fica evidente ao analisar as maternidades que apresentam métodos desnecessários e invasivos durante o parto, como a Manobra de Kristeller que consiste na aplicação de pressão na parte superior do útero para facilitar a saída do bebê e da Episiotomia – corte cirúrgico feito no períneo. Essas técnicas obstétricas obsoletas não são mais recomendadas pelas organizações de Saúde, a exemplo da OMS, e são extremamente violentas e invasivas para as mulheres que estão em trabalho de parto. Por conta disso, no Brasil, os partos perderam a naturalidade, e se tornaram em um momento de muita dor e exposição para as mulheres.
Portanto, é de extrema urgência fornecer cada vez mais partos humanizados no SUS e reduzir a violência obstétrica no país. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, ampliar a qualificação de médicos e profissionais de saúde para um parto mais humanizado e seguro, por meio de cursos focados em combater as técnicas ultrapassadas e promover um olhar mais respeitoso e um cuidado maior com as gestantes e parturientes, que já estão muito fragilizadas nesse momento. Essa proposta tem a finalidade de garantir que as brasileiras recebam cuidado, apoio e atenção da forma que precisam para dar a luz aos seus filhos de uma forma mais natural e sem sofrimentos desnecessários. Somente assim, as histórias como a de Mariana não se repetirão, pois os direitos das mães serão respeitados. atendidos.