A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 27/01/2021

De acordo com um dossie elaborado pela rede de mulheres “Parto do Princípio”, uma a cada 4 são desrespeitadas durante o parto natural. Tal dado evidencia a complexa realidade brasileira sobre a violência obstétrica no Brasil. Desse modo, em razão do silenciamento e da naturalização de atos desumanos, emerge uma enorme adversidade, a qual precisar ser resolvida.

Convém ressaltar, a princípio, a falta de debate como uma das responsáveis pela perpetuação da violência obstétrica. Segundo o filósofo Habermas, a linguagem é a verdadeira forma de ação. Nesse sentido, é visível uma certa lacuna a respeito desse assunto, o qual contraria o pensador e impossibilida a resolução desse impasse, uma vez que os protocolos de parto natural não é de conhecimento de todos e muitas mulheres desconhecem  a existência dessa agressão. Assim, quando sofrem brutalidades, são silenciadas por não reconhecerem que alguns processos são violências, tais como xingamentos, posições desconfortáveis, uso de medicamentos  e intrumetos. Logo, é inadmissível que o diálogo não seja usado para instruir mulheres e combater essa problemática.

Igualmente, ressalta-se a naturalização dessa violência como uma outra causa do obstáculo. Conforme a filósofa Hanna Arendt, em sociedades hierarquizadas certas posturas são banalizadas. De maneira análoga à realidade dos hospitares, os profissionais de saúde ficam em uma posição de poder em relação a paciente, a qual, desconhecedora do procedimento do parto, fica a mercê de agressões por estar em um momento de fragilidade e dependente do conhecimento do especialista. Por consequência, é inaceitável que a violência obstétrica seja banalizada e usada como imposições para manter uma relação hierarquica médico e paciente, por exemplo.

Em síntese, faz-se imperiosa uma intervenção para não permitir que agressões obstétricas continuem. Dessa maneira, o Ministério da Saúde precisa criar uma campanha para informar mulheres, por meio de propagandas televisivas vinculadas ao horário nobre brasileiro-momento de maior audiência-, as quais mostraria depoimentos de pessoas que sofreram hostilidades, expunharia o protocolo do parto e rejeitaria essa violência, para que seja de conhecimento público a existência da brutalidade obstétrica e que ensinem a reconhecer isso, assim como denunciar. Por fim, o dado apresentado pelo “Parto do Princípio” deixará de ser uma realidade e as brasileiras terão a garantia de serem respeitadas durante o parto de seus filhos.