A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 12/04/2021
Na obra “Triste fim de Policarpo Quaresma”, do pré-modernista Lima Barreto, o autor enfatiza, por meio do personagem principal, a visão de um Brasil sem defeitos. Em pleno século XXI, todavia, o país apresenta uma faceta contraditória do ideal, por conta da violência obstétrica em debate no Brasil. Desse modo, pode-se analisar a aceitação social e o descuido do poder público como causadores da problemática.
Em síntese, é legítimo postular que a aceitação social intensifica o problema. Nesse sentido, o conceito de banalidade do mal, desenvolvido pela socióloga Hannah Arendt, informa que, quando a violência acontece com muita frequência na sociedade, passa a ser percebida como algo aceitável. Dessa forma, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de violência obstétrica aumentou 75%. Portanto, a violência sofrida por mulheres grávidas não causa surpresa nos indivíduos, que olham as notícias nos jornais e que, consequentemente, impede que tal problema seja resolvido.
Ademais, outro fator é a negligência do poder público. Dessarte, pode-se citar o Ministério da Saúde, que prevê a diminuição da violência obstétrica, mas que, segundo uma pesquisa feita pela Folha de São Paulo, a violência continua a aumentar. Por consequência, fica evidente que as ações (fiscalização na hora do parto e apoio às vítimas de violência obstétrica) tomadas são insuficientes para acabar com o problema. Sendo assim, a falta de apoio representa um descaso, diante da situação que deixa milhares de mulheres com sequelas, por causa da falta da profissionalização durante o parto.
Sendo assim, medidas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental, em vista disso, que o Ministério da Saúde crie campanhas de conscientização, por meio das redes sociais, mostrando fotos e vídeos de como combater a violência obstétrica, a fim de que a população mude o seu comportamento diante da situação. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país sem defeitos, da mesma maneira que disse Lima Barreto.