A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 03/09/2021
No documentário “Nascer no Brasil”, é exposto um drama em debate no Brasil: a violência obstetrícia, que se configura como toda forma de silenciar, agredir e realizar procedimentos sem a autorização das parturientes. Para além das telas, no entanto, infelizmente essa conjuntura se faz presente na realidade brasileira e impõe prejuízos às mulheres, tanto no que diz respeito à danos na saúde mental, quanto na autonomia durante o parto. Destarte, é necessário que essa chaga social seja resolvida, a fim de que o documentário fique restrito ao campo cinematográfico.
Nesse sentido, é relevante destacar que a violência obstetrícia em questão no Brasil impõe danos à saúde mental das mulheres. Sob esse viés, insultos, maus-tratos e agressividade ao se dirigir às pacientes ferem a gestante emocionalmente, deixando marcas que perdurarão por toda a vida. Esse nefasto cenário se enquadra na teoria da “violência simbólica”, do sociólogo francês Pierre Bourdieu, que diz que o corpo social tende, por vezes, a violentar simbolicamente, provocando danos psicológicos. Dessa forma, ao serem vítimas dessa violação, as grávidas poderão desenvolver distúrbios como a depressão e a ansiedade, além de sofrerem impactos negativos em outras áreas de suas vidas, tais como a afetiva e a profissional. Assim, é fulcral que se invista em estratégias que coíbam essa contravenção à saúde psíquica das mães.
Outrossim, cabe ressaltar que a violência obstetrícia em debate na sociedade tupiniquim fere a autonomia das mulheres, infringindo seus direitos. Isso, porque, ao praticarem métodos ultrapassados e sem o consentimento da parturiente, por exemplo, os profissionais formalizam a violência obstetrícia, violando o direito que a mulher tem sobre seu próprio corpo. Esse cenário opressor pode ser visto no documentário “O renascimento do parto 2”, em que muitas puérperas relatam as violações que sofreram, como o exame do toque repetidas vezes, a medicalização excessiva e sem a permissão da prenhe. Portanto, urge que medidas sejam efetivadas para combater esse desrespeito à soberania da genitora.
Logo, nota-se que a violência obstetrícia em debate no Brasil afeta a saúde física e mental das mulheres. Para reverter esse cenário, os movimentos feministas — por sua notoriedade na luta pelos direitos da mulher — devem propor uma lei, por meio da Iniciativa Popular, que proteja integralmente a gestante. Isso deve ser feito com o intuito de assegurar a integridade moral e física da progenitora. Por conseguinte, as situações experimentadas pelas grávidas não se concretizarão, ficando limitadas ao universo do cinema.