A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 15/09/2021

“No Brasil, mais de 20% das mulheres afirmaram ter sofrido algum tipo de agressão na gestação ou no parto”, consoante o site Epoca. No entanto, tem-se observado que - apesar dessa alarmante realidade - o debate acerca da violência obstétrica ainda é insuficiente em território nacional, o que incapacita muitas mulheres de denunciarem tal ato. Isso ocorre, sobretudo, devido ao silenciamento e à falta de empatia de muitos profissionais de saúde. Desse modo, é evidente a premência de sanar a problemática envolvida.

Diante desse cenário, é fulcral reconhecer que a escassez de debate é uma das causas da existência da violência praticada às mulheres em gestação. A respeito disso, é válido rememorar a ideia ligada a pensadora Djamila Ribeiro, na qual ela explica que uma situação precisa ser tirada da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. A par desse raciocínio, é transparente que - por desconhecerem seus direitos como gestantes - diversas mulheres acabam sofrendo em silêncio com a violência obstétrica, incapazes de exercerem sua cidadania, o que provoca a continuidade deste problema. Assim, é imperioso tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende Djamila.

Ademais, sabe-se que a lacuna de empatia é outra motivação para a perpetuação desse empecilho no Brasil. Nesse viés, é mister ressaltar a obra “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago, na qual o escritor faz uma crítica ao comportamento egoísta do homem, que o cega. Nesse sentido, é possível constatar que, por serem incapazes de pensar além de sí próprios, muitos profissionais de saúde agem de forma agressiva e desrespeitosa com as gestantes, o que gera graves traumas para estas. Logo, reverter o individualismo é essencial para dissolver esse problema.

Urge, portanto, que providências sejam tomadas para amenizar o quadro atual. Para isso, o Instagram deve criar uma campanha que trate da violência obstétrica no Brasil, por meio de IGTVs - vídeos verticais de longa duração - com debates e orientações precisas, a fim de reverter o silenciamento que impera. Tal ação pode, ainda, ser divulgada com uma “hashtag” para atingir mais pessoas. Paralelamente, é preciso intervir sobre a falta de empatia presente na problemática. Dessa forma, o Brasil poderá visualizar dados melhores acerca da questão.