A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 28/04/2022

O livro “Medicina dos horrores”, narra a história da medicina cirúrgica do século XIX, mostrando a agressão, brutalidade e carnificina que o paciente era sujeito. Analogamente, a violência obstetrícia no Brasil torna-se semelhante com os fatos do passado, devido a negligência médica e ao descaso estatal, a desumanidade no atendimento de gestantes e puérperas é evidente. Sob esse viés, se faz mister a resolução dessa problemática.

Mormente, embora a Constituição de 1988 preveja o direito à saúde e ao atendimento igualitário, tal fato encontra empecilhos para ter seu êxito garantido. Nesse sentido, a pressa para o término do atendimento, seja para maiores horas de descanso, seja por antiética, faz com que o médico decida por atitudes erradas de forma irresponsável, como a ocitocina, condenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e usada para aumentar a dor e acelerar o trabalho de parto. Assim, a paciente é objetificada e tem seus direitos ignorados, refletindo, muitas vezes, nocivamente na saúde dela ou da criança.

Outrossim, apesar do problema supracitado ser um propulsor, o descaso estatal tem igual malefício. Sob essa ótica, de acordo com uma pesquisa realiza pela OMS, em 2018, cerca de 55,7% dos nascimentos foram cirúrgicos, entretanto, a recomen-dação é que não passe de 15%. Tal fato, mostra o desinteresse governamental nesta questão, visto que, partos cirúrgicos ,que possuem uma recuperação lenta e complicada, continuam acontecendo diariamente sem uma fiscalização adequada por parte do governo, aumentando gradativamente a pressa e a negligência dos responsáveis, além de colocar em risco a vida de ambos os pacientes.

Em virtude dos fatos mencionados, faz-se urgente a resolução deste problema. Destarte, cabe ao Ministério da Saúde, na condição de garantidor dos direitos indi-viduais, promover palestras e campanhas midiáticas explicativas sobre a violência obstetrícia e os direitos das gestantes, sendo aplicadas nas unidades básicas de saúdesaúde, por meio de profissionais especializados na área e de psicólogos. Isto posto, o suporte as gestantes e puérperas será garantido através de informação que visam orientar sobre o assunto. Por fim, fazendo com que a brutalidade do século XIX permaneça no passado.