A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 11/05/2022
A violência obstétrica vem sendo um assunto muito discutido, principalmente depois dos relatos da influenciadora digital Shantal, em que ela mostrava vídeos de seu parto que revelavam muitas falas problemáticas de seu ginecologista. Após a repercussão do caso, a internet se comoveu e Shantal virou um dos assuntos mais discutidos do momento. Nesse contexto, a falta de conhecimento sobre violência obstétrica e a vulnerabilidade da parturiente e o uso de métodos ultrapassados corroboram para a perpetuação do problema no Brasil.
Em primeira análise, de acordo com uma pesquisa realizada pela OMS, o número de cesárias vem aumentando cada vez mais, chegando a uma cesariana em cada cinco partos, e, no Brasil, esse número ultrapassa os 50%. Sob esse cenário, é nítido que a violência obstétrica ainda é muito ocorrente, sendo um dos motivos o desconhecimento das parturientes sobre o que é essa agressão. Além das inúmeras cesarianas desnecessárias, diversas mulheres sofrem, por exemplo, com a episiotomia, que trata-se de um corte para facilitar a passagem do bebê na hora do parto, trazedo malefícios para a parturiente, como infecções e dor.
Em segunda análise, durante o parto, a mulher está muito vulnerável e, por isso, procura um médico em quem confie. Entretanto, muitos acabam se aproveitando do medo da mulher para realizar procedimentos ou dizer coisas inapropriadas. De acordo com a teoria darwiniana, as mulheres apresentam características, como o quadril largo, que possibilitam um parto sem intervenção cirúrgica, na maioria dos casos. Além disso, o uso de métodos ultrapassados, como a episiotomia, contribuem para a continuação desse problema.
Em suma, é nítida a necessidade de debates sobre a violência obstétrica no Brasil. Nesse contexto, o Governo Federal- órgão responsável pela gestão e garantia dos direitos do Estado- deve, em parceria com o Ministério da Saúde, propor palestras para gestantes e incentivar mulheres vítimas de violência obstétrica a denunciar seus agressores, com a implantação de cartazes pelas cidades, além do uso das mídias, a fim de informar a população sobre o problema da violência, promovendo debates sobre o assunto. E assim, serão evitadas outras agressões como a sofrida pela influenciadora Shantal.