A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 18/05/2022
O romance distópico “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood, retrata uma sociedade onde as mulheres não possuem direitos e, algumas delas, são propriedades do governo, mantidas apenas para procriar, já que a maioria das moças tornaram-se estéreis por causa do uso excessivo de agrotóxicos na comida, isso faz com que elas sejam vítimas de violência e estupro, mesmo grávidas, por serem tratadas como objeto. Embora seja uma obra ficcional, a autora retrata uma realidade das mulheres no Brasil, que sofrem por diversos tipos de violência obstetrícia. Diante desse cenário, tem-se diversos fatores que contribuem para a problemática, como atos de agressão e negar assistência essencial.
Em primeiro plano, é imperioso ressaltar que muitas mulheres sofrem violência física nos hospitais e nas salas de parto. Nesse viés, a atualização da Cartilha da Gestante de 2022 autoriza práticas de violência física na gestante, como a episiotomia, corte na região entre o ânus e a vagina para ampliar o canal na hora do parto, e o uso da manobra de Kristeller, que envolve uma pressão na barriga que pode causar danos ao bebê e pode levar à ruptura uterina. Desse modo, comprova-se, a partir da informação acima, que a violência contra a gestante é normalizada e, inclusive, legalizada.
Ademais, grande parte dos médicos e enfermeiros não oferecem à gestante o auxílio necessário para que ela tenha um parto saudável e seguro. Segundo pesquisa realizada pela revista Época, 73% das mulheres que responderam à pesquisa não tiveram acesso a procedimentos não medicamentosos para aliviar a dor em trabalho de parto. Assim, mostra-se que as agressões são induzidas pela negação do direito da mulher e também pela falta de cuidado com a mesma.
Portanto, são necessárias medidas para mitigar a problemática. Então, a fim de que haja um maior cuidado com a mulher gestante, urge que o Ministério da Saúde, órgão do Poder Executivo Federal, por meio da mudança da Cartilha da Gestante, aumente a fiscalização dos hospitais, principalmente nas salas de parto, para que não ocorra nenhum tipo de negligência com a paciente grávida. Desse modo, o direito das gestantes será cumprido e haverá a diminuição da violência obstetrícia no Brasil.