A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 08/05/2022

A série americana Grey ’s Anatomy, que retrata o cotidiano de médicos em um hospital, em um de seus episódios, apresenta uma mulher que sofreu abusos durante o parto e sofre com as sequelas desse trauma. Analogamente, na sociedade brasileira, o número de relatos de casos de violência obstetrícia é crescente e provoca o debate acerca dessa questão. Nessa perspectiva, é compreensível que a problemática seja provocada não só pelo descaso do Poder Público em estabelecer medidas para preveni-la, mas também pela naturalização dessa prática.

Primeiramente, vincula-se a questão da violência obstetrícia à omissão governamental, uma vez que não há uma legislação federal específica contra a prática. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Sesc, uma a cada quatro mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência durante o parto. Dessa forma, é evidente a relevância dessa problemática na sociedade, no entanto, não haver leis que protejam as mulheres revela completo desprezo do governo, expondo traços de uma sociedade patriarcal.

Ademais, a naturalização de intervenções nem sempre necessárias e da pressão feita às mulheres na hora do parto também é responsável pela violência obstétrica no país. Segundo Melania Amorim, médica obstetra, insultos verbais e humilhação vividos por mulheres durante o parto são só “a ponta do iceberg” é que na tentativa de controlar o incontrolável, os profissionais de saúde, inseridos em um modelo de formação machista, lidam de forma abusiva. Logo, práticas que transformam o parto em experiências traumáticas são consideradas comuns e não levadas em consideração como algo nocivo à quem as vivencia.

Por fim, conclui-se que é necessário que o Poder Público, em parceria com o Ministério da Saúde, deve crie uma legislação contra a violência obstetrícia e, por meio de campanhas de conscientização das mulheres em pré-parto, informar a população feminina acerca das opções que possui na hora do nascimento de seus filhos. Dessa forma, planeja-se reduzir os casos de abuso das mulheres no parto e garantir que tenham uma experiência feliz.