A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 14/06/2022
Violência obstétrica não éum fenômeno contemporâneo. Desde a época da es-cravidão, as mulheres escravizadas não tinham direito de parar de trabalhar e, muito menos, tinham acesso à tratamentos de saúde básicos em seu período ges-tacional. Hoje em dia não é muito diferente, muitas mulheres sofrem com a violên-cia obstétrica, não usufruindo de direitos básicos reservados as mesmas. Nesse prisma destacam-se dois aspectos importantes: as práticas antiquadas e violentas de alguns profissionais da saúde e a falta de respeito com as gestantes.
Em primeira análise, nota-se a má formação de médicos e enfermeiros que tra-balham no atendimento às mulheres grávidas. Sob essa ótica, a prática de cesaria-nas pode ser vista como violência obstétrica, pois esse procedimento apenas é necessário para 15% das gestantes, mas na rede pública, por exemplo, esse núme-ro pode quadruplicar. Dessa forma, o direito ao parto livre e seguro está longe de ser realidade para todas as mulheres.
Além disso, é nítido o desrespeito às gestantes, principalmente àquelas de clas-ses menos abastadas, acentuando ainda mais as desigualdades sociais no Brasil. Desse modo, a mortalidade materna é maior entre as camadas mais pobres da so-ciedade. Segundo dados do DATASUS, a razão da mortalidade materna no Brasil em 2016 foi de 58 mortes para 100.000 nascidos vivos, o que indica a desumaniza-ção da mulher grávida ou puérpera no país.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Saúde deve propor aumento dos investimentos à saúde da mulher gestante por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Esse investimento resultaria em melhores condições para mulheres de baixa renda, aperfeiçoando os hospitais e maternidades públicas, além de melhorar o atendimento nos mesmos. Assim, cada vez mais mulheres terão acesso ao parto seguro no Brasil.