A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 31/08/2022

A violência obstétrica é caracterizada por abusos físicos e psicológicos sofridos por mulheres que procuram os serviços de saúde no momento do parto. Tal situação se dá por diversos fatores os quais destacam-se a desumanização do parto a partir da implantação do modelo tecnocrata e a carência da infraestrutura educacional.

Em primeira análise, sabe-se que ocorre de forma costumeira em hospitais e clínicas de saúde a violência obstétrica. Acerca disso, a trilogia de documentários, “O Renascimento do Parto” ressalta essa problemática, pois mostra que, vive-se um momento em que o parto é tecnocrático, ou seja, o corpo das gestantes é tratado como uma máquina e o parto é padronizado como uma linha de produção, desconsiderando todas as características particulares da mãe e do bebê. De modo semelhante ás obras, as gestantes brasileiras também são vítimas da desumanização do parto, tais como: a aplicação inadequada de ocitocina para acelerar o trabalho de parto, cirurgias sem anestesia, intervenções desnecessárias e a recusa de deixar a mãe segurar o próprio filho.

Ademais, o déficit na infraestrutura educacional na área de saúde no país agrava a problemática da violência obstétrica. A falta de hospitais universitários com equipamentos necessários e médicos qualificados formam estudantes despreparados e por consequência profissionais incapacitados e desumanizados, incapazes de lidar com aspectos humanos e sociais. Isso fica evidente quando, mesmo que pesquisas feitas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) apontem que o parto normal é melhor para a saúde da mãe e do bebê, o parto por cesárea prevaleça em detrimento do parto normal, por ser mais rápido e prático para os profissionais que irão realizar o procedimento.

Portanto, cabe ao Ministério da Saúde em conjunto com o Ministério da Educação, investir na aquisição de equipamentos médicos de qualidade e no ensino dos profissionais da saúde, intruindo os mesmo por paletras com profissionais qualificados e com vítimas da violência obstétrica, visando garantir a dignidade e o protagonismo da mulher durante toda sua gestação.