A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 23/09/2022
Segundo o filósofo britânico Stuart Mill," Sobre seu corpo e mente, o indivíduo é soberano". Essa premissa alude à necessidade de se debater sobre a violência obstétrica no Brasil. Destarte, esse quadro antagônico é fruto de questões de cunho social e governamental. Nessa perspectiva, urge a análise dos entraves do óbice.
Precipuamente,é válido pontuar que a mercantilização da medicina é causa direta do imbróglio. Consoante o filósofo alemão Karl Marx, em um mundo globalizado, a busca pelo lucro ultrapassou a ética e a moral. Nesse contexto, dados da OMS revelam que mais de 50% dos partos realizados no país são cesarianos, reflexo da influência e pressão médica exercida sobre as parturientes pela escolha do procedimento cirúrgico, visto que são muito mais lucrativos. Dessa maneira, é imperiosa a mudança da postura profissional de forma urgente, visando garantir que a vontade da mulher na predileção de um tipo de parto seja priorizada em detrimento dos ganhos financeiros da unidade hospitalar.
Outrossim,é indubitável que a inoperância estatal contribui para a persistência do problema. Consoante o pensador Thomas Hobbes, o Estado é o responsável por garantir o bem-estar da nação. Contudo, no que tange a oferecer um atendimento humanizado durante o ciclo gestacional das mulheres o Poder Público falha, haja vista a baixa atuação dos setores governamentais no que concerne a oferta de mecanismos que coíbam a violação do corpo feminino no momento de dar à luz, exemplificada pela mutilação genital desnecessária e pela não disponibilização de medicamentos para aliviar a dor.
Diante do exposto, medidas são cruciais para enaltecer a importância do debate acerca do impasse. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de suas mídias digitais, mecanismos de grande abrangência coletiva, realizar campanhas com obstetras, com o objetivo de informar e instruir as gestantes no tocante à opções de parto, bem como sanar possíveis dúvidas sobre as práticas realizadas no leito hospitalar .Posto isso, a noção defendida por Mill será respeitada e a coerção sofridas pelas grávidas efetivamente combatida.