A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 02/11/2024
São Tomás de Aquino defendeu que todas as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. Porém, a questão da violência obstétrica contraria o ponto de vista do filósofo, uma vez que, no Brasil, isso não ocorre. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias no que tange à questão da importância em debater esse tema, que persiste influenciado por questões socioculturais, além do receio de denunciar.
Deve-se pontuar, de início, que as questões socioculturais configuram- se como um grave empecilho no que diz respeito ao debate sobre violência obstétrica no Brasil. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a pouca importância atribuída às discussões sobre o tema é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto intolerante/opressor, a tendência é adotar esse comportamento também.
Em consequência disso, surge a questão do receio de denunciar. O imperativo categórico, de Kant, preconiza que o indivíduo deve agir apenas segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal. No entanto, no que tange à questão da violência obstétrica, há uma lacuna no dever moral quanto ao exercício da denúncia. Assim, o debate sobre o tema, que seria uma solução para o problema, não encontra espaço para ocorrer entre gestantes e mães.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Faz-se necessário, portanto, que o Ministério da Justiça em parceria com as mídias de grande acesso divulguem amplamente os canais de denúncia, tanto via telefone, quanto online, por meio de publicações nas redes sociais e transmissões ao vivo, esclarecendo a importância das denúncias e a possibilidade de fazê-lo anonimamente. Nessas transmissões seria viável convidar voluntárias que foram beneficiadas pelo exercício da denúncia a relatarem sua experiência, a fim de desmistificar e superar o receio de denunciar que muitas mulheres que sofreram violência obstétrica têm. Dessa forma, o Brasil poderá superar a violência obstétrica.