Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 15/01/2021

Na constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 230º, a obrigação da família e do Estado em oferecer amparo ao indíviduo idoso, assegurando, portanto, o seu bem-estar, o direto à vida, à participação na comunidade e à defesa da sua dignidade. Contudo, tal prerrogativa não tem se reverberado na prática quando se observa o abandono de idosos em questão no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desses direitos indispensáveis. Nessa perspectiva, é lícito destacar a ausência de um comportamento social empático e o despreparo governamental como fatores que perpetuam essa realidade problemática no país.

Sob essa perspectiva, convém enfatizar os impactos da negligência familiar diante o processo de segregação dessa faixa etária. Nesse sentido, analisando o conceito de “modernidade líquida” do filósofo Zygmunt Bauman, em que as relações humanas são frágeis e afetadas por uma cultura individualista, a disponibilidade de cuidados por parte da família se torna escassa à medida que as necessidades especiais do idoso, de acordo com suas limitações físicas e intelectuais ocasionadas pelo envelhecimento, se tornam um contratempo não adaptável ao estilo de vida imediatista característico de qualquer sociedade capitalista e globalizada. Dessa forrma, o processo de desvalorização do papel do idoso na contemporaneidade está ligado ao seu abandono afetivo, gerando um cenário de desprezo e excludência, que não resulta apenas no sofrimento psicológico do indivíduo, mas também na inibição do seu direito à participação e convívio social.

Outrossim, é imperativo destacar a deficiência de ações governamentais como um dos fatores que validam a persistência desse quadro. Sob esse prisma, segundo dados do Ministério da Saúde, 29,3 milhões de brasileiros são idosos, evidenciando, portanto, o crescimento demográfico dessa minoria. Nessa perspectiva, a ausência de organização estatal para lidar com essa nova realidade no país, oferecendo políticas que possam atender às necessidades dessa população com qualidade e atenção, acaba gerando um cenário propício ao abandono familiar, já que a falta de serviços como a fiscalização e o incentivo à denúncia criam um estado de vulnerabilidade e desamparo social ao cidadão idoso.

Depreende-se, portanto, a urgência de ações com o fito de amenizar o quadro. Para isso, o Estado, como principal propagador de conhecimento, deve, por meio do Minstério da Educação, promover palestras em instituições de ensino sobre a importância social do idoso e a valorização do seu papel no âmbito familiar. Além disso, é preciso implementar, por meio da criação de órgãos de fiscalização, o acompanhamento de idosos que moram sozinhos ou em casa de repouso, podendo diagnosticar se sua situação atual é de abandono afetivo ou não. Dessa forma, então, será possível reverter esse cenário.