Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 15/01/2021
A escritora Simone de Beauvoir, na obra “A Velhice: Realidade Incômoda”, afirma que o Homem não enxerga em seu futuro a senescência e por isso é alheio as demandas que esse grupo social exige. Diante desse panorama, percebe-se que as pessoas mais jovens tendem a subjulgar os mais velhos de diversas formas, dentre as quais, destaca-se uma das mais graves: o abandono. Nesse sentido, verifica-se, contemporaneamente, que essa problemática existe principalmente por dois motivos: a percepção da ausência de papeis sociais que dos idosos podem desempenhar e a decadência da saúde desses indivíduos.
Em primeiro plano, verifica-se que a função do sujeito enquanto cidadão em uma sociedade é atrelada a sua capacidade de trabalhar, estudar e colaborar para o crescimento da mesma, de modo que, quando uma pessoa deixa de cumprir esse papel, ela é marginalizada. Nesse contexto, a população idosa, em decorrência das limitações físicas e sociais, afasta-se dessas expectativas e, por conseguinte, é vista como inferior. A esse respeito, ressalta-se, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), que cerca de 40% dos indivíduos na terceira idade estão desempregados, o que configura uma conjuntura preocupante. Diante disso, percebe-se que o afastamento dos idosos dos seus respectivos papeis sociais torna-os mais vulneráveis à violência do abandono.
Em segundo plano, é fundamental discutir acerca do impacto que o declínio na saúde da população senil tem em suas vidas. Nesse sentido, é necessário apontar que esse grupo social é, naturalmente, o mais acometido por comorbidades. Sob esse prisma, observa-se que os gastos relativos a essa condição representam cerca de 25% da renda do idoso, conforme destaca a Fiocruz, o que é elevado, ao considerar a necessidade com outras despesas, tais como moradia e alimentação. Nessa condição, depreende-se que algumas famílias tendem a colocar essas pessoas em asilos como forma de aliviar os problemas financeiros. Assim, entende-se que o abandono surge dessa realidade, principalmente em grupos familiares menos zelosos por seus idosos.
Verifica-se, portanto, a necessidade de preservar a saúde do idoso e recuperar sua função de cidadão. Para alcançar esse objetivo, é dever do Ministério do Desenvolvimento Social criar políticas de acolhimento a esse grupo. Isso poderá ser realizado por meio da elaboração de um programa nacional de assistência ao idoso, que contemple questões de saúde, bem-estar, moradia e empregabilidade, fazendo, por exemplo, a intermediação entre essas pessoas e as empresas. Feito isso, a população da terceira idade terá mais autonomia, o que contribuirá para a redução o número de casos de abandono.