Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 15/01/2021
Na cultura indígena, a falta de uma linguagem escrita corrobora para a transmissão de conhecimentos através da oralidade. Assim, cabe aos mais velhos a árdua missão de manter viva todas as tradições de um povo, fato que os coloca em situação de valorização diante dos jovens. Entretanto, esse destaque ao idoso tem se perdido ao longo do tempo, visto que hoje se vivencia uma crescente prática de abandono. Logo, é imperioso que se combata o abandono dos idosos na contemporaneidade.
A princípio, é válido ressaltar que a fragilidade das relações sociais e o individualismo favorecem o crescimento de idosos abandonados. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, o mundo está vivenciando uma modernidade líquida, a qual possibilita relações interpessoais cada vez mais frágeis, instáveis e sem tanto compromisso com o outro. Desta feita, o foco não está no próximo e sim no próprio individuo, pois somente ele é responsável pelo seu sucesso ou fracasso. Com isso, é compreensível que o homem moderno veja com naturalidade o abandono das pessoas que no passado se esforçaram para construir quem ele é hoje.
Associado a isso, o aumento da expectativa de vida e os altos custos com saúde na terceira idade colaboram para uma cultura de abandono. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida do brasileiro aumentou mais de 10 anos nos últimos 50 anos. Conforme o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), cerca de 70% dos aposentados recebem apenas um salário mínimo. Em conformidade com a Organização Mundial de Saúde, é na terceira idade que surge grande parte das doenças crônicas, como as que acometem o sistema cardiovascular, respiratório e endócrino. Conclui-se que, as pessoas estão vivendo mais tempo, possuem baixa renda e demandam maiores gastos com saúde, fatos que contribuem para o abandono.
Portanto, é de suma importância que se enfrente com veemência o abandono das pessoas mais velhas. Para tal, o Poder Legislativo, por meio da formulação de leis, deverá criar a obrigatoriedade do dever de cuidado para com os idosos pela família, a fim de lhes garantir um envelhecimento mais salutar. Para tanto, os parentes com grau de sanguinidade mais próximo do idoso serão responsáveis pelo bem estar do mesmo, devendo informar ao poder público a impossibilidade de suprir com as necessidades do tutelado, caso haja, e não simplesmente abandoná-los.