Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 15/01/2021
Na obra “Ensaio sobre a cegueira”, do escritor José Saramago, declara-se: “Se podes olhar, vê, se podes ver, repara”. Desse modo, destaca-se a possibilidade de ações que potencializem olhar crítico e ativo para com os inúmeros percalços da sociedade. Infelizmente, existem situações nas quais práticas errôneas são adotadas, como a questão do abandono de idosos na contemporaneidade brasileira. Assim, esse entrave elucida imensuráveis facetas perniciosas (como falta de interesse dos familiares e a falta de condições econômicas), o que exige atenção ao panorama sociocultural fortemente negligenciado.
A princípio, segundo o historiador Sérgio Buarque de Holanda, as raízes de formação do pensamento social são denotadas por uma cordialidade. Sendo assim, isso permite que agruras como os infortúnios do abandono de idosos sejam tratados de forma velada. Sob tal ótica, revela-se a falta de interesse dos familiares como uma mazela profunda, causada muitas vezes pelo conflito de gerações, no qual os mais novos não entendem e não se importam com os idosos. Dessa forma, tendo em vista a cordialidade exposta por Sérgio, se ações que visem enfrentar tal problemática não forem adotadas, dificilmente o panorama sociocultural será alterado.
Paralelo a isso, a falta de condições econômicas também se mostra como uma barreira para superar tal problemática. Nesse sentido, de acordo com o índice de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade de um país, o Brasil está entre as dez nações mais desiguais do mundo. Nessa Lógica, é perceptível as dificuldades econômicas que grande parte da população enfrenta. Aliado a isso, a população idosa, muitas vezes, apresenta condições que necessitam de acompanhamento médico, o que resulta em gastos que as famílias não conseguem arcar. Com isso, essas famílias abandonam seus parentes idosos por não terem condições financeiras para cuida-los de forma adequada.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para tanto, o Governo Federal e o Ministério da Cidadania devem investir recursos, por meio do planejamento orçamentário anual, na criação de campanhas para conscientizar os mais novos da importância de cuidar dos idosos nesse momento de fragilidade da terceira idade, bem como a criação de asilos públicos, nos quais a população idosa receberá atendimento médico e todos os cuidas necessários. Somente assim, será possível combater a questão do abandono de idosos na contemporaneidade brasileira.